EU... Eu, eu mesmo... Eu, cheia de todos os cansaços, Quantos o mundo pode dar. — Eu... Afinal tudo, porque tudo é eu, E até as estrelas, ao que parece, Me saíram da algibeira para deslumbrar crianças... Que crianças não sei... Eu... Imperfeita? Incógnita? Divina? Não sei... Eu... Tive um passado? Sem dúvida... Tenho um presente? Sem dúvida... Terei um futuro? Sem dúvida... A vida que pare de aqui a pouco... Mas eu, eu... Eu sou eu, Eu fico eu, Eu... (Fernando Pessoa)

23 de dezembro de 2008

Eu ardo !!!


Eu ardo!
Amo
Exalo
Carrego o fardo
De ser assim
Olho no olho
E intensa até o fim...
De atrair-te
Seduzir-te
Cativar...
Apenas com um olhar.

Eu ardo!
Em amor
Em desejo.
Carrego nos poros
O calor do mundo inteiro.
Uma chama que arde sem doer
Que arrepia minha pele
E me faz sempre querer.
Ouriça meus pêlos
E afaga meus cabelos...

Eu ardo!
O tempo pára
Os pensamentos voam
Meu coração descompassa.
E eu ardo meu corpo inteiro
Pois cada poro do meu corpo
Leva o calor do mundo inteiro.

Carolina Salcides

Instinto Selvagem



Te confessei minha fera
Tenho alma de felina sim.
Puma, leoa, pantera, lince.
Todas elas habitam em mim.

Tenho juba
Tenho força
Garra, cheiro de mata
Cheiro selvagem.
Tenho fome de vida
Instinto selvagem.

Te olho sedenta
Olho no olho
Fico de quatro
E solto minha juba
Te faço minha presa
Te amo sem pressa.

Carolina Salcides

15 de dezembro de 2008

Uma grande paixão !!!

Como tratar o que se tem


Existe um ser que mora em mim como se fosse casa sua, e é. Trata-se de um cavalo preto e lustroso que apesar de inteiramente selvagem - pois nunca morou em ninguém nem jamais lhe puseram rédeas nem sela - apesar de inteiramente selvagem tem por isso mesmo uma doçura primeira de quem não tem medo: come às vezes na minha mão. Seu focinho é úmido e fresco. Eu beijo o seu focinho. Quando eu morrer, o cavalo preto ficará sem casa e vai sofrer muito. A menos que ele escolha outra casa que não tenha medo do que é ao mesmo tempo selvagem e suave. Aviso que ele não tem nome: basta chamá-lo e se acerta com seu nome. Ou não se acerta, mas uma vez chamado com doçura e autoridade ele vai. Se ele fareja e sente que um corpo é livre, ele trota sem ruídos e vai. Aviso também que não se deve temer o seu relinchar: a gente se engana e pensa que é a gente mesmo que está relinchando de prazer ou de cólera.

Blog Clarice Lispector


"Um cavalo! Um cavalo! O meu reino por um cavalo!"
Shakespeare

9 de dezembro de 2008

550 Postagens !!! "A forma mais terrível de naufrágio é não partir." Almir Klinn


fogos de artificio 06

fogos de artificio 06



A vida, Senhor Visconde, é um pisca-pisca. A gente nasce, isto é, começa a piscar. Quem pára de piscar, chegou ao fim, morreu. Piscar é abrir e fechar os olhos – viver é isso. É um dorme-e-acorda, dorme-e-acorda, até que dorme e não acorda mais. A vida das gentes neste mundo, senhor sabugo, é isso. Um rosário de piscadas. Cada pisco é um dia. Pisca e mama. Pisca e anda. Pisca e brinca. Pisca e estuda. Pisca e ama. Pisca e cria filhos. Pisca e geme os reumatismos. Por fim, pisca pela última vez e morre.

– E depois que morre – perguntou o Visconde.

– Depois que morre, vira hipótese. É ou não é?

Emília

(Memórias de Emília - 1936 - Monteiro Lobato)

8 de dezembro de 2008

Ora iê iê ô !!!


Nome de um rio em Oxogbô, região da Nigéria, em Ijexá. É ele considerado a morada mítica da Orixá. Apesar de ser comum a associação entre rios e Orixás femininos da mitologia africana, Oxum é destacada como a dona da água doce e, por extensão, de todos os rios. Portanto seu elemento é a água em discreto movimento nos rios, a água semiparada das lagoas não pantanosas, pois as predominantemente lodosas são destinadas à Nanã e, principalmente as cachoeiras são de Oxum, onde costumam ser-lhe entregues as comidas rituais votivas e presentes de seus filhos-de-santo.
Oxum domina os rios e as cachoeiras, imagens cristalinas de sua influência: atrás de uma superfície aparentemente calma podem existir fortes correntes e cavernas profundas.
Oxum é conhecida por sua delicadeza. As lendas adornam-na com ricas vestes e objetos de uso pessoal Orixá feminino, onde sua imagem é quase sempre associada a maternidade, sendo comum ser invocada com a expressão "Mamãe Oxum". Gosta de usar colares, jóias, tudo relacionado à vaidade, perfumes, etc.
Filha predileta de Oxalá e Yemanjá. Nos mitos, ela foi casada com Oxossi, a quem engana, com Xangô, com Ogum, de quem sofria maus tratos e Xangô a salva.
Seduz Obaluaiê, que fica perdidamente apaixonado, obtendo dele, assim, que afaste a peste do reino de Xangô. Mas Oxum é considerada hunanimente como uma das esposas de xangô e rival de Iansã e Obá.
Segunda mulher de Xangô, deusa do ouro (na África seu metal era o cobre), riqueza e do amor, foi rainha em Oyó, sendo a sua preferida pela jovialidade e beleza.
À Oxum pertence o ventre da mulher e ao mesmo tempo controla a fecundidade, por isso as crianças lhe pertencem. A maternidade é sua grande força, tanto que quando uma mulher tem dificuldade para engravidar, é à Oxum que se pede ajuda. Oxum é essencialmente o Orixá das mulheres, preside a menstruação, a gravidez e o parto. Desempenha importante função nos ritos de iniciação, que são a gestação e o nascimento. Orixá da maternidade, ama as crianças, protege a vida e tem funções de cura.
Oxum mostrou que a menstruação, em vez de constituir motivo de vergonha e de inferioridade nas mulheres, pelo contrário proclama a realidade do poder feminino, a possibilidade de gerar filhos.
Fecundidade e fertilidade são por extensão, abundância e fartura e num sentido mais amplo, a fertilidade irá atuar no campo das idéias, despertando a criatividade do ser humano, que possibilitará o seu desenvolvimento. Oxum é o orixá da riqueza - dona do ouro, fruto das entranhas da terra. É alegre, risonha, cheia de dengos, inteligente, mulher-menina que brinca de boneca, e mulher-sábia, generosa e compassiva, nunca se enfurecendo. Elegante, cheia de jóias, é a rainha que nada recusa, tudo dá. Tem o título de iyalodê entre os povos iorubá: aquela que comanda as mulheres na cidade, arbitra litígios e é responsável pela boa ordem na feira.
Oxum tem a ela ligado o conceito de fertilidade, e é a ela que se dirigem as mulheres que querem engravidar, sendo sua a responsabilidade de zelar tanto pelos fetos em gestação até o momento do parto, onde Iemanjá ampara a cabeça da criança e a entrega aos seus Pais e Mães de cabeça. Oxum continua ainda zelando pelas crianças recém-nascidas, até que estas aprendam a falar.
É o orixá do amor, Oxum é doçura sedutora. Todos querem obter seus favores, provar do seu mel, seu encanto e para tanto lhe agradam oferecendo perfumes e belos artefatos, tudo para satisfazer sua vaidade. Na mitologia dos orixás ela se apresenta com características específicas, que a tornam bastante popular nos cultos de origem negra e também nas manifestações artísticas sobre essa religiosidade. O orixá da beleza usa toda sua astúcia e charme extraordinário para conquistar os prazeres da vida e realizar proezas diversas. Amante da fortuna, do esplendor e do poder, Oxum não mede esforços para alcançar seus objetivos, ainda que através de atos extremos contra quem está em seu caminho. Ela lança mão de seu dom sedutor para satisfazer a ambição de ser a mais rica e a mais reverenciada. Seu maior desejo, no entanto é ser amada, o que a faz correr grandes riscos, assumindo tarefas difíceis pelo bem da coletividade. Em suas aventuras, este orixá é tanto uma brava guerreira, pronta para qualquer confronto, como a frágil e sensual ninfa amorosa. Determinação, malícia para ludibriar os inimigos, ternura para com seus queridos, Oxum é, sobretudo a deusa do amor.
O Orixá amante ataca as concorrentes, para que não roubem sua cena, pois ela deve ser a única capaz de centralizar as atenções. Na arte da sedução não pode haver ninguém superior a Oxum. No entanto ela se entrega por completo quando perdidamente apaixonada afinal o romantismo é outra marca sua. Da África tribal à sociedade urbana brasileira, a musa que dança nos terreiros de espelho em punho para refletir sua beleza estonteante é tão amada quanto à divina mãe que concede a valiosa fertilidade e se doa por seus filhos. Por todos seus atributos a belíssima Oxum não poderia ser menos admirada e amada, não por acaso a cor dela é o reluzente amarelo ouro, pois como cantou Caetano Veloso, “gente é pra brilhar”, mas Oxum é o próprio brilho em orixá.
A face de Oxum é esperada ansiosamente por sua mãe, que para engravidar leva ebó (oferenda) ao rio. E tal desespero não é o de Iemanjá ao ver sua filhinha sangrar logo após nascer. Para curá-la a mãe mobiliza Ogum, que recorre ao curandeiro Ossãe, afinal a primeira e tão querida filha de Iemanjá não podia morrer. Filha mimada, Oxum é guardada por Orumilá, que a cria.
Nanã é a matriarca velha, ranzinza, avó que já teve o poder sobre a família e o perdeu, sentindo-se relegada a um segundo plano. Iemanjá é a mulher adulta e madura, na sua plenitude. É a mãe das lendas – mas nelas, seus filhos são sempre adultos. Apesar de não ter a idade de Oxalá (sendo a segunda esposa do Orixá da criação, e a primeira é a idosa Nanã), não é jovem. É a que tenta manter o clã unido, a que arbitra desavenças entre personalidades contrastantes, é a que chora, pois os filhos adultos já saem debaixo de sua asa e correm os mundos, afastando-se da unidade familiar básica.
Para Oxum, então, foi reservado o posto da jovem mãe, da mulher que ainda tem algo de adolescente, coquete, maliciosa, ao mesmo tempo em que é cheia de paixão e busca objetivamente o prazer. Sua responsabilidade em ser mãe se restringe às crianças e bebês.Começa antes, até, na própria fecundação, na gênese do novo ser, mas não no seu desenvolvimento como adulto. Oxum também tem como um de seus domínios, a atividade sexual e a sensualidade em si, sendo considerada pelas lendas uma das figuras físicas mais belas do panteão místico Iorubano.
Sua busca de prazer implica sexo e também ausência de conflitos abertos – é dos poucos Orixás Iorubas que absolutamente não gosta da guerra.
Tudo que sai da boca dos filhos da Oxum deve ser levado em conta, pois eles têm o poder da palavra, ensinando feitiços ou revelando presságios.
Desempenha importante papel no jogo de búzios, pois à ela quem formula as perguntas que Exú responde.
No Candomblé, quando Oxum dança traz na mão uma espada e um espelho, revelando-se em sua condição de guerreira da sedução. Ela se banha no rio, penteia seus cabelos, põe suas jóias e pulseiras, tudo isso num movimento lânguido e provocante.

3 de dezembro de 2008

Eparrei Iansã !!!


FESTA DE SANTA BÁRBARA - IANSÃ

A religiosidade do povo baiano deveria servir de exemplo de tolerância ao mundo. Em que lugar do planeta uma santa católica comunga a mesma identidade de uma entidade essencialmente africana? É assim, no dia 4 de dezembro, que católicos, adeptos do candomblé, umbanda e outras religiões celebram Santa Bárbara e Iansã numa das festas mais disputadas do calendário religioso de Salvador. Iniciada, como em outras festividades religiosas, com uma alvorada de fogos às 5 horas da manhã, acontece na Igreja de Nossa senhora do Rosário dos Pretos uma missa às 7 horas. Devido ao numeroso público, é realizada também uma missa campal. Finalizando os festejos, a imagem de Santa Bárbara deixa a igreja seguindo em procissão até o quartel de bombeiros na Barroquinha, onde faz uma parada para seguir adiante até o Mercado de Santa Bárbara onde é servido um caruru para a população. O caruru de Santa Bárbara é realizado em diversas localidades da Cidade, alguns batem recorde na quantidade de quiabos anualmente. A devoção à Santa Bárbara, padroeira dos bombeiros, enche as ruas de vermelho, incendiando as ruas com fé, regada a muita cerveja.

FÉ QUE DESABROCHOU QUAL FLOR – Por Gloria Kaiser

Bárbara sabia que seu pai jamais admitiria uma cristã em sua casa, mas não temia mais a sua ira; ela confiava no "Pai Nosso". E para que seu pai, ao voltar, pudesse identificar de longe que sua filha tornara-se cristã durante a sua ausência, ela mandou abrir uma terceira janela na torre.
Maximino Dióscoro enfureceu-se de raiva e decepção. Somente neste momento ele reconheceu que havia colocado dentro de sua casa uma cristã, Lydia. Que havia se concentrado apenas no seu perfeito conhecimento de grego quando a escolheu, e que não havia se dado conta de que ela vinha da cidade em que Paulo de Tarso havia traduzido para o grego As Visões de Jesus. Saulo/Paulo era o "perigoso" propagador do cristianismo.
No auge de sua ira, Dióscoro quis mandar matar Lydia, mas esta conseguiu fugir. Bárbara igualmente tentou fugir, mas foi encontrada pelos servidores de seu pai e levada a julgamento. Foi-lhe dada a oportunidade de negar ser seguidora da nova religião, o que ela não fez. Foi então, torturada, tocada nua pelas ruas, blasfemada e teve seu corpo cruelmente mutilado.
Bárbara, entretanto, resistiu a todos os ferimentos; a limitação da torre, e a autoridade de seu pai não contavam mais; as dores físicas não contavam mais, pois o seu espírito, o seu horizonte havia se expandido, ela passara a viver na firme convicção daquele amor com o qual o trino Deus a nutria e fortalecia. Somente o seu corpo estremecera; o seu interior permanecera inatingível aos seus executores. Quando, finalmente, não aceitou se reconverter aos deuses gregos, apesar de todas as torturas sofridas, ela foi condenada à morte.
Em Izmit, porém, não se encontrou um único verdugo pronto a executar a pena de morte, pois secretamente muitas pessoas já haviam se tornado seguidoras da nova "religião do amor". O juiz determinou que Maximino Dióscoro, o próprio pai, executasse a pena. Após a publicação da sentença, Bárbara foi mantida presa numa cela por mais 20 dias; uma última oportunidade concedida pelo juiz para que negasse a nova religiao, para que se reconvertesse.
Ao ser conduzida pelo pátio da prisão, Bárbara viu os ramos pendentes de uma cerejeira e pediu ao guarda que lhe apanhasse alguns dos ramos. Levou os ramos consigo para a cela, onde, então, se prepararia para a sua derradeira hora. Bárbara orou, falou com anjos, com seres divinos que acreditava perceber em sua cela. E no vigésimo dia, no dia em que seria levada ao cadafalso, os botões dos ramos da cerejeira desabrocharam: o céu enviara o seu sinal a Bárbara! Ela havia escolhido o caminho certo, havia conseguido libertar-se do poder de seu pai através da força adquirida na nova religião, e a sua liberdade interior havia desabrochado.
Bárbara não olhou para seu pai quando posicionou a cabeça sobre o cadafalso para a execução. Manteve-se calma e deixou-se ser amarrada. Agora Maximino Dióscoro, o pai, podia exercer todo o seu poder sobre sua filha Bárbara, e assim consumou a pena. No momento em que a cabeça de sua filha separou-se do corpo, no entanto, um raio atingiu Maximino Dióscoro matando-o instantaneamente.
As pessoas que levam ramos de cerejeiras à igreja pedem a Bárbara que lhes indique um caminho que as liberte da limitação e do isolamento; Pedem ajuda para encontrar um novo começo. Rezam para que os botões dos ramos de cerejeira abram em flor, apesar de ainda ser dezembro na Europa, de os dias ainda estarem curtos e escuros, e de a natureza ainda mostrar-se enrijecida de frio. No silêncio das semanas de advento, as pessoas conduzem o olhar para dentro de si, oram e pedem pela luz que lhes ilumine a vida, que lhes aponte o seu próprio caminho para a liberdade. E através de sua fé em Santa Bárbara, os botões desabrocharão, e o novo, a brancura da floração da cerejeira, iluminará a neblina, a escuridão.
Geralmente Bárbara é representada por uma torre com três janelinhas, que simboliza a reconciliação e a renovação da vida. É a padroeira dos montanhistas, geólogos, arquitetos e artilheiros, dos bombeiros e dos presidiários. Ela também é reverenciada como a padroeira dos moribundos, pois lhes tiraria o medo de morrer - virão anjos que aplacarão as dores da morte.
A Igreja dos Romeiros em Eibingen, na região do Rheingau, na Alemanha, guarda uma relíquia de Santa Bárbara.


Fonte: A Tarde, 01.12.2007, Cultural, p.11, Gloria Kaiser
raio caindo 22raio caindo 22
LENDA DE IANSÃ por Luiz Carlos Pereira

Oxaguiã em certa ocasião decretou guerra a todos seus inimigos. Como eram muitos, precisava de muitas armas. Pediu a Ogum que as forjasse, delas dependeria sua vitória ou derrota. O ferreiro se pôs a trabalhar com sofreguidão, mas tantos eram os armamentos necessários que sua forja já não dava conta. Iansã, sua mulher na época, ofereceu ajuda e começou a soprar a forja para que o fogo se avivasse e Ogum pudesse continuar seu trabalho. Esse esforço conjunto fez com que as encomendas saíssem à perfeição e assim a guerra foi ganha. Oxaguiã, contente e agradecido, resolveu fazer uma visita ao casal reconhecendo o valor do trabalho feito por eles. Ao conhecer a bela mulher ficou totalmente apaixonado e tudo fez para que ela o acompanhasse. As belas e encantadoras promessas feitas em sussurros encantaram Iansã e ela se foi com o rei para seu castelo deixando Ogum desanimado e tristonho. Anos mais tarde nova guerra foi decretada. Oxaguiã correu a casa do ferreiro para fazer nova encomenda, conhecia e respeitava o trabalho de Ogum, este, porém o recebeu friamente dizendo que desta vez já não contava com o valioso sopro de Iansã o que deixava sua forja fria para o feitio de tantas armas. O rei garantiu-lhe que teria o sopro necessário. Chegando ao seu reino ordenou à mulher que ajudasse Ogum, mas teria que ser dali, não poderia voltar ao velho lar. Depois de muito pensar no que fazer, Iansã sentou-se em frente a uma janela da torre mais alta da construção e começou a soprar. Primeiro em pequenas baforadas que apenas faziam brisa. A casa do ferreiro ficava do outro lado da terra e o sopro a ser enviado tinha que ser mais forte. Concentrando-se em sua tarefa, puxava o ar e o soltava cada vez com maior ímpeto. Em pouco tempo o sopro transformou-se em vento que balançava as folhas das árvores. Ao cair da tarde transformara-se em um tufão que varria todos os campos e terras por onde passava e chegava à forja de Ogum com a força necessária para avivar o fogo tão necessário. Reconhecendo o esforço da mulher querida, ele se pos a trabalhar com afinco. Pelas cidades onde os ventos passavam todos habitantes prostravam-se em terra para louvar a tempestade da bela Oyá. Foi assim que Oxaguiã venceu a guerra novamente, usando o trabalho do casal que ele separara. Ainda hoje, quando há missões especiais, Ogum se põe em frente à forja e Iansã de sua torre sopra com energia. Separados por quilômetros de terra, encontram-se a força e a tempestade!

Fonte:http://pt.shvoong.com/humanities/religious-studies/1679573-lenda-ians%C3%A3/

2 de dezembro de 2008

Boca

Boca Carnuda


Entrando num açougue recém inaugurado e próximo da minha casa, deparei-me com uma cena rodriguiana, mas ao vivo e a cores.
O sujeito que personificava o atendente era um moreno tipo amante latino, cabelo preto liso. Ele é imenso, forte e bonito e com uma maneira de atender aos clientes sui generis e muito carismática. Homens e mulheres ouvem o que todo cliente gosta: “estou a seu dispor, escolha o que quiser, estou às suas ordens”.
Mas nem todo cliente tem as ancas daquela morena de aparelho nos dentes que logo depois de mim entrou no açougue. Em meio a carnes, sangue e opulência, ela é recepcionada pelo latino extrovertido e galante com um sincero "estou a seu dispor, morena. Escolha o que for de seu agrado". Ela assim o fez, como se pudesse desobedecer a uma ordem tão direta e macia. A morena opulenta e faceira, sentindo-se a própria, se achando, fez suas escolhas, embora a ordem de chegada ainda não a beneficiasse, mas todos os clientes não ousavam retrucar diante de tal imagem, como se de alguma maneira todos pudessem adivinhar a cena que estava por vir.
Ela escolheu seu músculo e prontamente foi atendida, escolheu seu filé, no que se seguiu outro pedido e outro e outro... O moço galante fazia-lhe todos os desejos e por fim ela se saciou, pagou e se dirigiu à porta de saída.
Todos os clientes, ainda em alerta, emudeceram e aguardavam. O cheiro de carne é forte e suas cores mais ainda e prontas a serem degustadas, elas, languidamente, estendiam-se em fileiras à espera.
O atendente, com um olhar que dizia mais que toda sua verborréia sedutora, perguntou mais uma vez à morena que ameaçava ir pra nunca mais: "tem certeza que não quer mais nada? Posso imaginar que você quer algo mais? E eu posso te dar. É só pedir". E, num movimento que parecia impossível, ela, mais próxima de atravessar a rua que a faca da carne, volveu toda a sua pessoa e todo o volume dos seus quadris para dirigir-se de volta ao balcão, onde debruçou-se e respondeu:
- Quero sua boca!!
Como num pregão, diante do ultimato e da força do martelo, ele sentencia, após esmurrar o balcão:
- Pois bem, esteja me esperando. Fecho às 8 e meia.
Não pense que em minha cabeça gritos de ovação não explodiram. Sim os gritos estavam, lá. Mas ninguém pareceu ouvi-los e a fila pôde continuar.

Paula Cunha

30 de novembro de 2008

A Dieta !!!


A DIETA

No princípio eram as trevas. Aí Deus criou o couvert. Depois do couvert vieram as entradas, depois das entradas, o pernil. Depois do pernil veio a farofa, a maionese e o feijão tropeiro, além da cerveja, é claro, bem gelada, que não podia faltar. Deus achou tudo aquilo muito bom mas achava que faltava um doce. Aí apareceu o quindim, depois do quindim veio o café. O café e um licor. E a conta.

A gordura é a desgraça do mundo moderno.

Vendo que estava engordando, tomei uma coca cola e uma decisão drástica: vou comer menos. E para mostrar que não estava brincando entrei imediatamente num Mc Donald's e pedi um Big Mac sem cebola. Começou aí o meu regime. Sim, pois o primeiro passo para quem decide começar uma dieta é, antes de mais nada, escolher entre os milhares de métodos de regimes à disposição. Logo eu que gosto de (quase) tudo... Que como (quase) tudo.. Como até aquele queijo do Mc Donald's que é feito do mesmo material da caixinha em que vem o sanduíche.

Mas vamos às dietas. Tem a dieta do Amir Klink; onze meses na Antártida.Esta dieta tem um problema: além de emagrecer, causa espinha no rosto, e faz cabelos aparecerem nas mãos. Segundo alguns até pode levar à cegueira.

Tem ainda a famosa dieta do Abacaxi, na qual você só pode comer um abacaxi por dia durante uma semana. Na segunda-feira de manhã te dão sete abacaxis mas não dão a faca. É tiro e queda!

O gordo vive eternamente revoltado com a natureza. Porque só a cerveja dá barriga? Porque alface não dá barriga? Porque agrião não dá celulite? Está tudo errado no mundo, menos o pastel do Álvaro's.

O primeiro sentimento de quem começa uma dieta é o de revolta. A vida passa a ser igual comida de hospital - não tem graça nenhuma. Dá vontade de acabar com tudo, a começar pelo que tem na geladeira, continuando a fúria devastadora de Gengis Khan até a loja de doces que colocaram na esquina só pra te sacanear.

O emagreando (ou regimando), é um indivíduo macambúzio, triste e cabisbaixo. Para ele nada faz sentido, só uma empadinha. A balança, depois da roleta do ônibus, é a sua maior inimiga.

No geral, todas as dietas seguem o mesmo princípio: nada que é gostoso pode! E o pior são os médicos de dieta querendo convencer você das delícias do chuchu, do sabor da cenoura, que um tomate no lanche substitui um Big Bob's e que o chá de camomila relaxa mais que um chopp.

Só quem ganha com os regimes são os médicos de dieta, que devem gastar todo o dinheiro em banquetes monumentais, em porres homéricos nos congressos que eles organizam só pra contar piada, comer de tudo e zombar dos pacientes que eles deixaram suspirando na frente de uma folha de alface.

Mas como você não consegue emagrecer, o jeito é ir para um Spa. Alguns indivíduos têm de ser trancados em jaulas para agüentar a rotina do Spa. Num Spa um irmão esfaqueia o outro por causa de uma bomba de chocolate, o marido estrangula a esposa por um cream-cracker. Fugitivos destes campos de alimentação, quando conseguem escapar dos cães farejadores de comida, andam quilômetros para buscar refúgio na padaria mais próxima.

Quando voltam para casa, vários quilos mais magros, cheios de rugas e cicatrizes, trazem a marca de quem escapou vivo do inferno e mais tarde, nas noites frias de inverno, contam para seus netinhos como pagaram uma fortuna por um cheese-burguer sem catchup!

Comida pra ser boa tem que fazer mal, dar dor de barriga: mocotó, feijoada, leitão à pururuca, rabada, xinxim de galinha, vatapá, caruru, bobó, barreado, virado à paulista, baconzitos, cheesitos, doritos, pizza, batata frita de latinha, cheeseeggtudoburguer com molho e sem alface, bacalhau à zé do pipo, salame, salsichão e, é claro, o porco como um todo!! Isso sim é que é comida de verdade!

Comida só funciona com culpa. E tem mais: se a gula é um pecado, o inferno deve ser ótimo pra fazer churrasco. Ninguém no sábado depois do almoço bate na barriga satisfeito e vai puxar um ronco depois de comer uma salada. Ninguém convida um amigo: "vai sábado lá em casa que vai ter alfaçada".

É mais fácil perder um amigo se você fizer um convite desses do que os 30 quilos que estão sobrando!

Jô Soares

26 de novembro de 2008

Será?

Será que ainda me resta tempo contigo,
ou já te levam balas de um qualquer inimigo.
Será que soube dar-te tudo o que querias,
ou deixei-me morrer lento, no lento morrer dos dias.
Será que fiz tudo que podia fazer,
ou fui mais um covarde, não quis ver sofrer.
Será que lá longe ainda o céu é azul,
ou já o negro cinzento confunde Norte com Sul.
Será que a tua pele ainda é macia,
ou é a mão que me treme, sem ardor nem magia.
será que ainda te posso valer,
ou já a noite descobre a dor que encobre o prazer.
Será que é de febre este fogo,
este grito cruel que da lebre faz lobo.
Será que amanhã ainda existe para ti,
ou ao ver-te nos olhos te beijei e morri.
Será que lá fora os carros passam ainda,
ou as estrelas caíram e qualquer sorte é bem-vinda.
Será que a cidade ainda está como dantes
ou cantam fantasmas e bailam gigantes.
Será que o sol se põe do lado do mar,
ou a luz que me agarra é sombra de luar.
Será que as casas cantam e as pedras do chão,
ou calou-se a montanha, rendeu-se o vulcão.

Será que sabes que hoje é Domingo,
ou os dias não passam, são anjos caindo.
Será que me consegues ouvir
ou é tempo que pedes quando tentas sorrir.
Será que sabes que te trago na voz,
que o teu mundo é o meu mundo e foi feito por nós.
Será que te lembras da cor do olhar
quando juntos a noite não quer acabar.
Será que sentes esta mão que te agarra
que te prende com a força do mar contra a barra.
Será que consegues ouvir-me dizer
que te amo tanto quanto noutro dia qualquer.

Eu sei que tu estarás sempre por mim
Não há noite sem dia, nem dia sem fim.
Eu sei que me queres, e me amas também
me desejas agora como nunca ninguém.
Não partas então, não me deixes sozinho
Vou beijar o teu chão e chorar o caminho.
Será,
Será,
Será!


Pedro Abrunhosa

25 de novembro de 2008

Vamos sorrir ???

Mensagens Para Orkut - MensagensMagicas.com

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Pega...Pega...Pegaaaaaa !!!


Recados e Imagens - Garotos - Orkut

AS 8 TEORIAS DO HOMEM

Teoria nº 1
Toda mulher é devassa, sem exceção. Se não foi, será. Se não é….deveria ser. Chega de hipocrisia! Nós homens gostamos é de mulher devassa. Aquele papo de que OS homens querem mulheres certinhas pra casar e devassas pra transar, já era. Nós queremos é uma “lady” na sociedade e uma “puta” na cama. Sempre. E as mulheres tem que acabar com aquele papo: “o que será que ele vai pensar de mim?”. Chega de frescura. Nós vamos adorar quando vocês se despirem na nossa frente, caírem de boca, virarem de quatro. São as melhores coisas DA vida. E temos que aproveitar porque ainda é de graça.
Daqui a pouco governo resolve taxar o gozo e cria a CPFF (contribuição provisória DA foda feliz)

Teoria nº 2
“Não existe amizade entre homens e mulheres…. (só se a mulher for feia)”.
As teorias tentam provar mais uma vez OS FATOS DA natureza humana. Como toda teoria, alguns parâmetros têm que ser observados. Entende-se por “mulheres”, as fêmeas que estão acima DA nota 6 na escala de beleza. Toda e qualquer mulher abaixo de 6, são passíveis de amizade única e exclusivamente. Entende-se por “homens” OS que não sentam pra urinar. A suposta amizade entre homens e mulheres é uma via de mão única. As mulheres são amigas dos homens mas OS homens estão sempre dispostos a algo mais. Basta a mulher Dar uma brecha e CRAU, já era. Quando você, que tem uma mulher, ouvir aquele papo: “mas ele é só meu amigo”, prepare-se. É o código feminino que quer dizer: “é isso aí trouxa, se você facilitar meu amigo aqui vai levar”. E se você é uma mulher que acha que têm um “amigo” de verdade, pergunte a ele: “estive lendo um artigo sobre sexo e amizade. O que você acha”???

Teoria nº 3
Não existe mulher feia, ou é mulher, ou é feia. Mais uma pérola de sabedoria a ser estudada. Já dizia o poeta: “me perdoem as feias, mas beleza é fundamental”!! Eu tenho que admitir que a mulher é o ser mais belo que foi elaborado pelo nosso criador. Uma perfeição! Além de tudo, lavam, passam e cozinham. Isso me lembra uma frase popular que define casamento:”Uma maneira muito cara de ter suas roupas lavadas de graça”…
Mas voltando à teoria, como todo homem falha de vez em quando, nosso criador também falhou (no céu não tem viagra) criou a mulher feia. Nós, pobres mortais, estávamos fadados a conviver com a mulher feia pro resto dos tempos, mas a sabedoria masculina acaba de resolver esse problema dividindo as mulheres em dois grupos distintos: as mulheres e as feias. De agora em diante, eu, você e todos OS homens de bom gosto do mundo sairemos única e exclusivamente com mulheres, deixando as feias pros APELADORES de plantão.

Teoria nº 4
Carro importado: R$ 110.000,00; Jantar a luz de velas: R$ 150,00; Motel de primeira linha : R$ 180,00; Ter ao seu lado uma mulher que realmente GOSTA de sexo: não tem preço.
Meus amigos, depois de anos de pesquisa cheguei a seguinte conclusão: Não é fácil achar uma mulher que realmente goste do negócio. A maioria engana. Temos que usar de muitos artifícios pra conseguirmos nosso único objetivo, SEXO. Carros importados, jantares, presentes, flores, tudo pra convencer nossas parceiras que somos legais, vamos nos casar com elas, sermos felizes para sempre e por isso merecemos aquela maravilhosa noite de prazer. Não é mole não. É por isso que eu digo, se você é um dos poucos sortudos que tem uma mulher que gosta do ofício ao seu lado, transa com você pelo simples prazer do sexo, agradeça e muito. Se você faz parte do gigantesco mundo dos enganados, associe- se aos famosos clubes de entretenimento (ATT - Amigos Também Trepam) DA cidade e seja feliz.

Teoria nº 5
Quem não faz, toma. Quem faz muito, leva o de HONRA no final. Não, caros leitores (as), eu não estou falando de Gols. Essa brilhante frase (de autor desconhecido) espelha uma vasta sabedoria em seu âmago. Estou falando de CHIFRES. Aquele par de ornamentos tão indesejáveis que aparecem, meio que por acaso, nas testas de milhões de seres humanos. O CHIFRE está em alta. É Mãe levando a Filha na novela, é exame de DNA no Ratinho, é noiva, namorada, casada, ninguém é de ninguém. Coisa Linda. E o que fazer em relação a isso???? Como conseguir ser um indivíduo sem CHIFRES???? Simples. Basta reservar sua passagem com a NASA e MUDAR DE PLANETA.

Teoria nº 6
Mulher que não dá, voa. Caros amigos e amigas, esta fabulosa constatação, feita ao longo de mais de trinta anos de vasta observação do comportamento sexual, resume a vida das pessoas na virada do novo milênio. Nos dias de hoje, o que vale é BOLA NA REDE. Não existe mais aquela história de casar virgem, mulher direita, o que vão pensar de mim. O negócio agora é explorar os prazeres da CARNE, sem medo de ser FELIZ. O jeito “Sandy” de encarar a vida só funciona pras candidatas a TITIA SOLTEIRONA. As mulheres de verdade tem que LIBERAR, senão VOAM. Como não tenho visto muitas mulheres VOANDO por aí, é sinal que o negócio está PEGANDO. Coisa linda!!!!!! Continuamos TRABALHANDO, pra evitar novos acidentes aéreos.

Teoria nº 7
Transar é bom, PUXAR UM RONCO depois é FUNDAMENTAL! Começo aqui o Movimento do Sono após o Gozo. Sem essa de beijinhos e carinho. Conversar então, nem pensar. Após o Gozo, nós homens queremos DORMIR. Não há exceção. E de preferência SOZINHOS. Por isso o MHF (Movimento dos Homens Felizes) acaba de lançar a CAMA-CATAPULTA. Logo após o ato sexual, é só puxar a alavanca e a sua companheira será EJETADA a vários metros de distância. Favor manter as janelas FECHADAS pra evitar danos a saúde. Faça já sua reserva da CAMA-CATAPULTA pois o sucesso é grande e a tiragem LIMITADA.
Detalhe, quem tem mulher FEIA, leva um TURBO de graça, pra lançar mais longe.

Teoria nº 8
“Todas merecem a primeira, poucas merecem a segunda e nenhuma merece a terceira!!!!!” Mais uma constatação verídica do cotidiano sexual dos homens brasileiros. Sexo é muito bom e eu gosto, agora OLIMPÍADAS é só de 04 em 04 anos. O Sexo foi feito pra relaxar e não pra emagrecer. Quer manter a forma???? Entre numa academia!!!!! Quer ficar bonito????? Ganhe dinheiro!!!!! Lembro de quando era garoto, vários amigos e conhecidos contavam suas aventuras sexuais: Ontem, eu dei 05 !!! Ela não me aguentou, foi a noite inteira!!!. Comigo é assim, 03 de manhã e 04 à noite. Eu ficava me perguntando como é que eles faziam. Depois de algum tempo eu aprendi: É só MENTIR.!!!


ice man 31

22 de novembro de 2008

Amor

Poema

O grilo procura
no escuro
o mais puro diamante perdido.

O grilo
com as suas frágeis britadeiras de vidro
perfura.

as implacáveis solidões noturnas.

E se o que tanto busca só existe
em tua limpida loucura.

- que importa? -

isso
exatamente isso
é o teu diamante mais puro!


Mario Quintana

19 de novembro de 2008

Abrindo o coração...

A gente tem que morrer tantas vezes durante a vida
Que eu já tô ficando craque em ressurreição.
Bobeou eu tô morrendo
Na minha extrema pulsão
Na minha extrema-unção
Na minha extrema menção
de acordar viva todo dia
Há dores que sinceramente eu não resolvo
sinceramente sucumbo
Há nós que não dissolvo
e me torno moribundo de doer daquele corte
do haver sangramento e forte
que vem no mesmo malote das coisas queridas
Vem dentro dos amores
dentro das perdas de coisas antes possuídas
dentro das alegrias havidas

Há porradas que não tem saída
há um monte de "não era isso que eu queria"
Outro dia, acabei de morrer
depois de uma crise sobre o existencialismo
3º mundo, ideologia e inflação...
E quando penso que não
me vejo ressurgida no banheiro
feito punheteiro de chuveiro
Sem cor, sem fala
nem informática nem cabala
eu era uma espécie de Lázara
poeta ressucitada
passaporte sem mala
com destino de nada!

A gente tem que morrer tantas vezes durante a vida
ensaiar mil vezes a séria despedida
a morte real do gastamento do corpo
a coisa mal resolvida
daquela morte florida
cheia de pêsames nos ombros dos parentes chorosos
cheio do sorriso culpado dos inimigos invejosos
que já to ficando especialista em renascimento

Hoje, praticamente, eu morro quando quero:
às vezes só porque não foi um bom desfecho
ou porque eu não concordo
Ou uma bela puxada no tapete
ou porque eu mesma me enrolo
Não dá outra: tiro o chinelo...
E dou uma morrida!
Não atendo telefone, campainha...
Fico aí camisolenta em estado de éter
nem zangada, nem histérica, nem puta da vida!
Tô nocauteada, tô morrida!

Elisa Lucinda

17 de novembro de 2008

Continuo sendo: Metal, Raio, Relâmpago e Trovão !!!


Românticos são loucos


Românticos são loucos, querem ser o outro, pensam que o outro é o paraíso. Vander Lee tem razão. É uma espécie em extinção, que ama sem vergonha e sem juízo. Romântico cria coincidências. Tive um namorado que fazia aniversário um dia e um mês antes do meu. A gente achava isso um sinal de que nascemos um pro outro. “Um dia e um mês é muita coincidência!”, suspirávamos. Coincidência maior foi acabarmos tudo no mês do meu aniversário, sem suspiros, só com um coincidente alívio no ar.

Mas como controlar o romantismo de um pisciano? Todo pisciano sofre com beijo de novela. Se não gosta de novelas, como eu, sofre com música. Eu sofro horrores com música. Uma que tá me cortando os pulsos é a do Ira, que diz: “Eu vou tentar fazer você feliz, nem que seja pela última vez”. Imagino o cara tentando, lutando, sem desistir...Eu torço por ele, tadinho. Tenta, meu filho, tenta...

Tem outra que parece escolher quando tô dirigindo pra sair na FM. Quando sai, eu e todos os motoristas próximos a mim sofremos juntos, porque esqueço que tô dirigindo e fico num ziguezague, seguindo a emoção da voz da Gal Costa. “Sexo e luz” é chumbinho em forma de música. Ouça isto: “Quando o sol abaixou num dia tão monótono, a paixão me deixou atônito. Me tirou da rotina e num momento único, alterou meu destino de súbito. Aí, saí do vale do meu tormento. E fui cair no lago do teu amor; Ali, aliviei todo o meu sofrimento”...

O efeito disso num romântico é fechar o olho e partir pra bater o carro, sem se importar com o prejuízo. É. Romântico tem síndrome de rico. Não se importa com contas a pagar, salário atrasado, nada desses assuntos práticos e sem emoção.

Mas, falando friamente (se é que um romântico consegue ser frio), é saudável ser romântico? É bom acreditar em coincidências sugestionadas?

Conheço gente dessa espécie que se esconde debaixo da cama até secar a última gota de sangue e vinho e gente comum que substitui uma paixão por outra e outra e outra, sem se envolver. Não vejo paz em nenhum dos dois tipos. Acho que tem excesso em ambos. Romântico demais duplica o que foi dito pela metade. O de menos, corta pela metade a possibilidade de ser dito. Estão entre a ilusão e o medo. A lupa e a miopia.

Então, me diga: é melhor viver com ilusão ou com medo?

Ouvi de um palestrante espírita que se você se desiludiu, é porque se iludiu. E ele concluiu, perguntando o óbvio: quem mandou se iludir? Aquilo me indignou, pois romântico se ilude é mesmo. Mas quem mandou? Quem disse que era pra se iludir? Me deu vontade de gritar do meio do auditório pra esse palestrante pseudo-seguro de si: - Ei, você, com essa sua vida tão certinha e sem graça, nunca se desiludiu não? Não sabe o que é sonhar não? Ô vida besta, a sua!. Mas o auditório tinha 500 pessoas e não tive a ilusão de que fariam coro pra mim, pois romântico enrustido nunca confessa que é romântico. Teme que formem sua imagem de alguém frágil, ingênuo. Engoli a seco, mas aquela pergunta ficou ecoando na minha mente iludida: quem mandou se iludir?

O consolo é que eu e Lulu Santos não somos os últimos românticos. Nos litorais deste Oceano Atlântico existem Vander Lee, piscianos, aquarianos, geminianos... É uma turma de desvairados que recebe a lua cheia com uma surpresa tão grande, como se não fosse certa sua aparição todo mês. Que sente o peito esquentar ou a pele arrepiar ao ver o nome da pessoa chamando no celular; que sente o dia ganhar um ritmo diferente diante de uma declaração inesperada...É disso que sobrevive o romântico. Do que quase ninguém prestou atenção...Há quem diga que viver sem isso é viver sem sofrer. Eu sigo achando que viver com isso é que é viver.


Liliane Moreira



Sexo e luz


Quando o Sol
Abaixou
Num dia tão monótono,
A paixão
Me deixou
Atônito.

Me tirou
Da rotina,
E num momento único,
Alterou
Meu destino
De súbito.

Aí,
Saí do vale do meu tormento,
E fui
Cair no lago do teu amor;
Ali,
Aliviei todo o meu sofrimento,
E ui,
Me vi gemendo de prazer que nem de dor.

Enfim, lancei
De mim um grito;
E em ti, fui um
Com o infinito.

E no céu
Do meu eu,
No íntimo, no âmago,
Acendeu
Um límpido
Relâmpago.

No ápice,
Em átimos
Que pareceram séculos,
Eu me banhei
E me lavei
Em sexo e luz.

Então,
Além do monte, além do horizonte,
Oh sim,
Além do mundo, além da razão,
Oh não,
Bebi do poço sem fundo, da fonte
Sem fim,
O poço do desejo, a fonte da paixão.

Enfim, lancei
De mim um grito;
E em ti, fui um
Com o infinito.


Lokua Kanza - Carlos Rennó

Sexo e Luz... Perfeitamente Mágico !!!

15 de novembro de 2008

ATENÇÃO A ESSES SIMBOLOS DE PEDOFILIA


Símbolos de Pedofilia

ATENÇÃO A ESSES SIMBOLOS DE PEDOFILIA

O FBI produziu um relatório em Janeiro sobre pedofilia. Nele estão colocados uma serie de símbolos usados pelos pedófilos para se identificar. Os símbolos são, sempre, compostos pela união de 2 semelhantes, um dentro do outro. A forma maior identifica o adulto, a menor a criança. A diferença de tamanho entre elas demonstra a preferência por crianças maiores ou menores.

Homens são triângulos, mulheres corações.

Os símbolos são encontrados em sites, moedas, jóias (anéis, pingentes...) entre outros objetos.

Os triângulos representam homens que adoram meninos (o detalhe cruel é o triângulo mais fino, que representam homens que gostam de meninos bem pequenos);

o coração são homens (ou mulheres) que gostam de meninas e a borboleta são aqueles que gostam de ambos. De acordo com a revista, são informações coletadas pelo FBI durantes suas investigações. A idéia dos triângulos e corações concêntricos é a da figura maior envolvendo a figura menor, numa genialidade pervertida de um conceito gráfico. Existe um requinte de crueldade, pois esses seres fazem questão de se exibirem em código para outros, fazendo desses símbolos bijuterias, moedas, troféus, adesivo etc. Infelizmente, é o design gráfico a serviço do mal.


SE VIR EM ALGUM CANTO , DENUNCIE!!!! !!!!!




5 de novembro de 2008

... feliz !!!

Praticantes de BDSM são mais felizes

Um estudo realizado pela Universidade de New South Wales determinou que cerca de 2% dos adultos australianos praticam regularmente BDSM, e que, contrariamente à visão clínica vigente, não o fazem como reacção a um passado de abusos sexuais ou por alguma forma de “incapacidade sexual”.

Os resultados, publicados no Journal of Sexual Medicine, sustentam a ideia de que o BDSM é meramente um interesse sexual ou subcultura atractiva para uma minoria.

O estudo, realizado num universo de 20.000 australianos, mostrou ainda que os casais que praticam BDSM são geralmente mais felizes que aqueles que têm uma vida sexual convencional, e que isso é particularmente notório nos homens, tendo os praticantes apresentado níveis de stress significativamente mais baixos que os homens “normais”.

Os responsáveis pela investigação confirmam que estes resultados contradizem as actuais teorias clínicas sobre o BDSM, e esperam que ajudem na revisão desses clichés.




Fonte:
http://www.livenews.com.au/Articles/2008/08/25/
Bondage_leads_to_a_happy_life_Study

... feliz !!!

"Se ser feliz para sempre é aceitar com resignação católica o pão nosso de cada dia e sentir-se imune a todas as tentações, então é deste paraíso que quero fugir.Não estou disposta a inventar dilemas que existem, mas quero reencontrar aqueles que existem e que foram abafados por essa minha vida correta."


Martha Medeiros

31 de outubro de 2008

Meu sertão

Imagens Para Orkut-Adianta querer saber muita coisa? O senhor sabia, lá para cima - me disseram. Mas, de repente chegou neste sertão, viu tudo diverso diferente, o que nunca tinha visto. Sabença aprendida não adiantou para nada... Serviu algum?

Viver é muito perigoso... Porque aprender a viver é que é o viver mesmo... Travessia perigosa, mas é a da vida. Sertão que se alteia e abaixa... O mais difí­cil não é um ser bom e proceder honesto, dificultoso mesmo, é um saber definido o que quer, e ter o poder de ir até o rabo da palavra.

Guimarães Rosa

30 de outubro de 2008

Opinião real e sincera de um submisso:

Não é algo que a gente faz e bate nos peitos! Também não se pode comentar com parentes sem embaraço, com amigos mais chegados pode ser ainda pior, não acho nada fácil falar dessas coisas. Gostar de chicote? Desejar estar algemado? Às vezes é melhor se calar do que se abrir com estranhos. Por que são coisas que não se faz por que se gosta ou se quer.

É ALGO que se faz por que é preciso, por que não dá para evitar, procrastinar... É um anseio que te controla e domina. Isso é a submissão masculina, uma pitadinha de solidão, culpa e arrependimento.

A submissão masculina, tão natural para mim hoje, me perseguiu e me fez sofrer por 15 anos. Sem contar com a minha adolescência, que considero fracassada ou perdida. Nunca pensei que fosse algo saudável ou natural. Procurei reprimir com todas as forças. Mas aprendi a não me considerar um louco e me aceitar. Foram anos de agonia até saber que não estava só. Que havia gente que gosta de gente como eu! Hoje sou uma pessoa feliz que quer experimentar mais, evoluir e encontrar a pessoa certa. Talvez já a tenha encontrado, mas de qualquer forma enquanto tudo isso não se resolve estou disponível para me divertir com as pessoas "erradas" por que já sofri por demais, a vida é curta e a gente morre no final.

1) A CONFIABILIDADE

Uma característica tão fundamental assim deve ser citada na frente das demais. Se seu homem não for confiável, seu romance não dá pé... Mas como ter certeza do caráter dele? Ou da inocência das suas intenções? Lembre-se que assim como o respeito, a confiança também deve ser conquistada em um processo lento e longo. E tem mais, a confiança deve ser mútua, não há outro caminho. Afirmo: Se em qualquer relação a confiança é imprescindível, nos relacionamentos BDSM a confiança do homem na mulher deve ser total. A recíproca também é verdadeira. Meus caros leitores, de agora em diante chamarei os homens de submissos, pois como acredito que esta seja sua verdadeira aptidão e também não há nenhuma forma de ofensa neste tratamento, não vejo forma melhor de me referir a eles. Só um submisso assumido pode ser feliz! Penso que um submisso somente atinge a plenitude do seu indivíduo quando deixa de ser homem e passa a pertencer, de corpo e alma, à mulher dominante. É lindo quando ele confia nela totalmente, depois se rende e finalmente se entrega. O submisso só cresce quando ela o toma, maltrata e escraviza. Apenas assim o submisso se sente realizado. Como afirmei, sem confiança não dá mesmo, um submisso decente deve confiar inteiramente na sua dona. Deve se colocar nas suas mãos ou sob seus pés. Deveria contar tudo para sua mulher, inclusive seus pensamentos mais íntimos e inconfessáveis. Mesmo quando os pensamentos poderiam prejudicá-lo, ainda assim ele deveria contar tudo. Não deve haver segredos. O submisso deveria ter sensibilidade para saber o momento de agir, calar ou de falar. Os submissos deveriam saber que as opiniões, percepções, sensações e ações das suas respectivas donas estão e estarão sempre corretas! Deveriam entender que sendo propriedade de uma grande mulher, não precisariam se preocupar com mais nada, pois estão sendo bem assistidos, vigiados e treinados. Não deveria haver medo e nenhuma hesitação da parte dos submissos, nem questionamentos, apenas subserviência. Por sua vez, as mulheres devem se impor continuamente. Elas devem mostrar, sempre que puderem, que eles podem e devem confiar. De vez em quando podem elogiar seu submisso. Isto ajuda no processo. Com o passar do tempo, as mulheres também deveriam confiar nos seus submissos. Cuidado: Todos dizem que são confiáveis no início, logo, preste bastante atenção nos detalhes, nas atitudes. O tempo é o melhor amigo da mulher. Dê liberdade e observe o que acontece. Fique vigilante, confie desconfiando, discretamente, fique sempre atenta. Um submisso que confia na sua dona usa cinto de castidade 24/7 e sempre deixa as chaves com ela. Um homem só se torna um submisso confiável quando abdica da sua liberdade, perde parte da sua masculinidade e abdica do seu orgasmo. Capturar a libido do seu submisso é a chave do sucesso. Ex.: Sugira um teste, um joguinho de fim de semana. Coloque uma venda em seus olhos. Deixe-o ficar sem enxergar por muito tempo. Quanto mais tempo melhor, mas acho que quatro horas consecutivas serão suficientes. Neste ponto desconfie, não vacile! Enquanto ele estiver vendado, mantenha as mãos do submisso para trás, não deixe chance para ele trapacear; Quando o submisso ficar completamente cansado, perdido, desorientado no escuro, implorando para parar, já deverá estar quase no ponto da surra! Seja dura neste momento, peça para ele agüentar mais um pouquinho. Canse o "peixe". Diga que você está se divertindo muito com o jogo... Diga que ainda falta um pouco. Peça para ele ser forte e se submeter mais. Depois disso, bata nele para valer, use um chicote, correia, chinelo ou palmatória. Deixe belas marcas, mas depois acaricie, esfregue gelo, beije a carne castigada. Mostre compaixão. Ainda vendado, o guie em um ambiente fechado. Alimente-o, mate a sua sede. Deixe-o confortável. Se for necessário o ajude a fazer suas necessidades. Mande-o executar tarefas bem simples, como carregar uma cadeira, encher um copo com água, lavar uma calcinha. Sua voz deve ser calma, mas confiante, firme. Leve-o até sua cama, deixe-o sentir teu cheiro, fazer coisas com você, provoque-o, amarre-o novamente, mas não transe com ele ainda, mantenha a cabeça fria, caso contrário você poderá estragar tudo. Não retire a venda dos olhos dele ainda. Neste ponto ele já deve ter se acostumado. O castigo serviu para distraí-lo. Mostrar que pode confiar em você. Pergunte como ele se sente vivendo nas trevas, desamparado, pergunte o que pensa. Escute, preste atenção. Faça perguntas abertas. Afirme que se ele ficasse cego não haveria problemas, pois você estaria ali para ajudá-lo, reforce a questão do compromisso e confiança. Depois disso você pode retirar a venda, beije-o, novamente pergunte o que ele está sentindo. Discuta as sensações com ele, mostre que você esteve sempre por perto. Converse muito com ele, então peça para ele por a venda novamente. Diga que você quer muito, diga que você entende seu sofrimento, angústia, mas desta vez você não tem idéia de quanto tempo ele ficará vendado. Veja o que ele faz. Se ele aceitar seu pedido sem hesitação, ótimo, parabéns. Você está no caminho certo, se você estiver disposta, transe com ele, pois é importante recompensá-lo. Se ele hesitar mas aceitar, vá com calma, ele precisa de mais treino. Se ele não aceitar, desista dele! Um submisso assina um papel em branco e deixa com sua dona, pois confia plenamente nela.

2) O ALTRUISMO:

Prejudicar-se, ceder, abdicar, sentir cansaço, frio, sede, fome, desespero, solidão e até dor para realizar um capricho da sua dona e sentir o prazer que seu sofrimento pode proporcionar. O submisso deve fazer tudo pelo conforto e bem estar da sua dona. Ele deve estar sempre pronto para se prejudicar ou sofrer por ela. Tenha em mente que um bom submisso deveria dar a vida dele pela vida da sua dona, sorrindo, rapidamente, sem reclamar, sem um segundo de hesitação. Os submissos verdadeiros acham uma honra fazer qualquer sacrifício pelas suas respectivas donas. Seja exigente, não se contente com pouco. Mostre que você é especial. Ex.: Peça para ele deixar de assistir a final do campeonato brasileiro de futebol para fazer as unhas dos seus pés ou fazer uma escova no teu cabelo... Ele deve ir trabalhar de ônibus e deixar o carro na garagem, abastecido, lavado e deixar seu cartão de crédito disponível para as compras. Deve deixar de comer doces, pois você está de dieta!

3) O DESPRENDIMENTO:

Você pode fazer tudo com ele, mudar seu estilo, penteado, nome, inverter os papéis e até trocar o sexo dele. Os submissos devem estar prontos para aceitar tudo. Deveriam ceder e se acostumar com sua posição inferior e se desprender da rotina, dinheiro, patrimônio e prazeres carnais. Os submissos devem saber que quem realmente manda e importa são as mulheres. Elas devem aproveitar, usufruir os prazeres da vida. Eles não, existem apenas para servir, sofrer, ajudar e proporcionar prazer, muito prazer nas suas respectivas donas. Os submissos são meros coadjuvantes. Mostre como você pode dominar a mente e o corpo do seu submisso. Um cinto de castidade em regime 24/7 pode ser um começo. Faça uma viajem para a serra, trate e o use como poney. Sele, Monte e cavalgue no seu submisso. Observe se ele te obedece adequadamente. O desprendimento só pode ser observado por fatos concretos, falar que é arrebatado não vale.

4) A ENTREGA:

Eles devem se entregar ao seu fetiche, seu charme e a força da sua sedução. A rendição deve ser total, isto é, física, emocional e mental. Ele deve depender financeiramente, emocionalmente e psicologicamente de você. Não deve conseguir ficar mais de cinco minutos sem pensar em ti. Aos poucos você deveria viciar seu submisso no seu corpo, no seu cheiro, no seu gosto, no seu consolo. Os submissos que praticam inversão com suas donas estão no caminho correto, pois se entregam. Eles devem sonhar com elas todas as noites dentro de si e as desejarem incessantemente. A libido dos submissos deve ser cuidadosamente moldada, monitorada e controlada. O sentimento de entrega é maravilhoso, por isto toda masturbação deve ser negada, pois é um ato de prazer egoísta. Os orgasmos também devem ser limitados ao máximo, se permitir que algum aconteça, deve ser sempre na tua presença, com seu consentimento, para seu deleite. Deixe isto muito claro para ele. Faça-o acreditar nisto. Os orgasmos não autorizados deveriam ser punidos exemplarmente, pois afastam teus submissos da pureza da entrega. Os homens mais felizes são os submissos castos que se entregam espontaneamente. O regime de castidade forçada é para o próprio bem deles. Deixe-os gozar livremente na estimulação anal, para fins medicinais, mas não retire o cinto de castidade. Faça-os admirar seus pés e apreciar o privilégio de praticar sexo oral com você. Não existe entrega sem amor, sem paixão. Ex. Para testar o seu nível de entrega, submeta-o a castidade forçada, PA, KTB ou outro dispositivo radical de controle sexual. Faça com que ele viva em regime de castidade absoluta. Faça um contrato, convença-o a assinar, tire fotos comprometedoras. Ameace-o (só de brincadeira, mas deixe-o em dúvida) para valer. Dependendo da reação dele você saberá se ele realmente se entregou ao teu poder. Cuidado! Você é responsável por tudo àquilo que cativas.

5) A DEDICAÇÃO:

Todos os submissos devem ser extremamente atenciosos, carinhosos, generosos, zelosos em todas as atitudes, principalmente quando estiverem fora da cama ou longe de casa. Eles devem ceder sua vez, abrir portas, dizer obrigado, por favor ou desculpe-me senhora. O submisso deve acender seu cigarro, deve ser prendado, levar teu café na cama com um sorriso ou fazer a unha dos teus pés... Durante o período de menstruação das suas donas, os submissos devem ficar atentos e ter em mãos uma bolsa de água quente, chá e uma cartela de Ponstan. A dedicação do submisso é máxima nesses períodos. Eles não devem deixar de praticar sexo oral em hipótese alguma, mesmo quando ela está menstruada ou chega suada da ginástica. Eles devem velar o sono das suas donas quando estão com febre ou doentes e dormir com uma de suas calcinhas usadas enfiada na boca. Para enfatizar a dedicação, eles devem lavar a roupa íntima das suas donas à mão, passá-las com todo carinho. Observe a dedicação do submisso quando ele faz suas atividades. Claro, também devem cuidar da casa, do carro, da louça, da faxina e preparar os melhores pratos para suas respectivas donas. A dedicação do escravo pode ser medida pela sua dedicação ao lar, o escravo deve ser prendado. Eles devem promover banhos de língua, pedicure, manicure e massagem. Enfim ele deve te amar! Ex.: Pensar nela 24horas do dia, mesmo sonhando. Mandar flores e outros mimos regularmente. Escrever cartões. Ligar para saber se está tudo bem. Colocar o cinto de castidade nas viagens de negócio.

6) A RESISTÊNCIA:

Tolerância a castigos, surras, dor, choques na intensidade e duração determinada por você. Só no caso das sádicas.Todo submisso tem um pouco masoquista e a mulher deve tirar proveito da situação, maximizando este sentimento, exigindo sacrifícios cada vez maiores. Ex. Você pode forçar seu submisso a usar um corpete e apertar lentamente sua cintura a cada três dias. Você pode aumentar os períodos de castidade forçada constantemente. Lembre-se que mesmo os submissos mais resistentes podem se machucar. Você pode bater com força, mas deve cuidar bem dele. Não se esqueça que você é responsável por seu submisso, pois ele é sua propriedade, logo você é a única responsável pelo seu bem estar em uma sessão. Dor ou prazer é questão de intensidade versus duração.

7) O RESPEITO:

Ter atitudes dignas e respeitáveis com você, seus amigos e sua família. Ele deve preservar sua imagem a todo custo. Preocupar-se com os modos e a forma de tratamento em público e em particular. Respeito vem de cima, respeite-o para ser respeitada por ele. Mas isto não significa que você não possa humilhá-lo, tratá-lo no diminutivo, como um animal, objeto, mulher ou criança. Você pode negar tudo, bater de chicote de couro, mas ele deve entender o motivo e concordar com a pena. Ex.: Bata na cara dele, mas pergunte se ele te ama de verdade. Você pode sodomizá-lo, mas tem que conversar antes. Você pode mordê-lo, mas deve conter suas lágrimas

Castro

Maravilhoso !!! João Ubaldo Ribeiro

computador homen cavernas


Ele Conseguiu

João Ubaldo Ribeiro

Quem me vê, aqui no Leblon, passando de bermudas com o ar meio aparvalhado de sempre, as bainhas das bermudas de sempre abaixo dos joelhos, as sandálias de sempre escorregando dos pés e o sorriso alvar de sempre com que respondo aos cumprimentos de desconhecidos, vai jurar que é o mesmo lunático inofensivo que costuma circular nas vizinhanças, indo comprar bolo de aipim na confeitaria ou ao boteco para arrostar as agressões à minha vascainidade temporariamente injuriada (apesar de já estar classificado, mas quem é vascaíno mesmo sabe a que quero referir-me) e certamente não desconfiará de nada. Passará até por perto de mim, sem ter a menor idéia de que, em meu cérebro tresvariado, reside um quase-homicida, a ponto de cometer não só um, mas vários tresloucados gestos. E, de fato, tenho saído muito mais que habitualmente para não começar a tresloucar à mínima provocação da parte dele, cuja convivência já não consigo suportar e cuja visão ameaça levar-me a crises convulsivas.

Sim, talvez algum de vocês já tenha adivinhado. É o computador, esta máquina demoníaca com a qual somos cada vez mais obrigados a conviver e que, na exatíssima descrição de um amigo meu, é dividida em duas partes principais: o hardware e o software. O software é a parte que você xinga e o hardware é a parte que você chuta. Até umas duas semanas atrás, apesar de rudes golpes e embates, eu terminava ganhando, ou pelo menos obtendo razoáveis condições de sobrevivência. Agora, porém, me vejo derrotado, arrasado, devastado e - tenho certeza - observado com desdém sádico e sarcástico por este monitor que sou obrigado a fitar de olhos injetados. Ele finalmente ganhou. Eu não deixava que ele pegasse vírus ou qualquer outra afecção, dedicava a seu caráter solerte e traiçoeiro a mais vigilante das atenções, mas desta vez ele achou um jeito de ganhar, aplicando-me um simples golpe mecânico.

Tento amenizar meu sentimento de revolta e humilhação raciocinando que ele veio para ficar e ou nos habituamos a ele ou nos fossilizamos em questão de semanas. Lembro os tempos heróicos em que, para escrever um livro, eu tinha de catamilhografar minha pobre literatura usando um abominável papel-carbono que produzia uma cópia que eu jamais emendava, mas guardava por questão de segurança, revendo resmas de laudas amarfanhadas, passando a limpo (a sujo, na realidade, porque as emendas a caneta posteriores eram inevitáveis) tudo e encaminhando o resultado a uma datilógrafa profissional, que produzisse originais apresentáveis. Depois, revia os erros que a datilógrafa também cometia, entre frasquinhos de substâncias malcheirosas, colas viscosas, fitas adesivas, tesouras e equipamentos esotéricos que algum amigo sempre trazia da Alemanha e que acabavam se revelando instrumentos de tortura. E, enfim, depois dessa bodosíssima odisséia, entregava os originais à editora, que os mandava à gráfica, que fazia a composição em linotipo, que vinha com erros, que eram de novo emendados, que... Enfim, era uma mixórdia infernal, de que o computador nos livrou para sempre.

Livrou, sim, mas com a condição de que usássemos uma máquina cuja manutenção dá mais trabalho do que, como já disse aqui, manter e administrar seis famílias. Revejo esta estimativa agora. Não seis famílias, mas pelo menos umas oito a dez. Em verdade lhes digo, para que o computador funcione cem por cento (cem por cento, não, porque isso é uma utopia, mas uns 80 a 90 por cento, porque sempre há alguma coisinha que requer um acerto nem sempre adiável), é preciso que se dedique a ele pelo menos o dobro do tempo que se dedica ao trabalho propriamente dito. Duvido que o mais fanático dos proprietários ou colecionadores de automóveis tenha mais trabalho do que um pobre usuário de computador.

Quem usa sabe, não tenho o que explicar. Quem não usa não seria capaz de avaliar o que significa trabalhar em regime de permanente suspense, ameaçado por interrupções e anúncios sinistros, além de acusações infundadas, tais como a de que o pobre escrevinhador acaba de cometer uma operação ilegal e o programa será fechado. Isso é o mínimo. O meu mente de forma desavergonhada e alardeia a ocorrência de catástrofes que jamais se materializam e, quando se materializam, só são realmente solucionáveis por uma comissão de técnicos ensandecidos, que falam uma língua incompreensível pelo resto da Humanidade e declaram tudo obsoleto, inadequado ou, para usar uma palavra de que cada vez gostam mais e só é empregada com maior freqüência em relação à vida pública nacional, corrompido. O que você aprendeu ontem não serve mais para hoje e o que você instalou ontem se recusa a comunicar-se, ou sequer coexistir, com o que você teve de instalar hoje. Conheço vários mártires companheiros de sofrimento, como, por exemplo, o equilibradíssimo colega e amigo Zuenir Ventura, que, como eu, alterna momentos em que quer atirar o computador pela janela ou atirar-se ele mesmo pela janela.

Mas eu ia resistindo, pagando o preço da eterna vigilância. Era, de certa forma, um vitorioso. Hoje, porém, não. Ele vinha dando sinais de que a rebelião final chegaria, mas eu não ligava. Afinal, não havia vírus, não havia descuido quanto a nada. Até que chegou o dia em que, sem mais um aviso a não ser de que havia um erro no disco, ele travou de vez e não voltou a dar sinal de vida. Mudei o disco e perdi tudo. É como se uma biblioteca tivesse pegado fogo. Desarvorado, não sei mais o que escrevi, como escrevi ou a quem escrevi. Dirão vocês que se deu bem a literatura brasileira, pois nunca mais haverá um livro de crônicas minhas, talvez livro nenhum. Nem haverá um eu, possivelmente. Sim, porque enquanto arrasto os pés por aí com a cara apalermada, sei que ele ganhou e agora está apagando os meus últimos neurônios. Se, na próxima semana, eu não aparecer, vocês já sabem: fui deletado.


computador homen das cavernas

29 de outubro de 2008

Dia Nacional do Livro

folheando livro 9

"Oh! Bendito o que semeia Livros ... livros à mão cheia ... E manda o povo pensar! O livro caindo n'alma É germe – que faz a palma, É chuva – que faz o mar."

Castro Alves

"Um livro é um pássaro com mais de cem asas para voar"

Ramon Gomez de la Serna

28 de outubro de 2008

Feliz !!!

Atrevida

Estou mais atrevida
Mordaz e ferina
Estou cheia de vida
Sagaz e ladina
Já não sou mais a mesma
Respiro outros ares
Navego outros mares
São tantos olhares
Convites, sorrisos
Eu gosto eu preciso.


Pois é...
Que ficou impossível não ver
Mudei de você
Por isso me esqueça
Virei a cabeça
Nas noites mal dormidas
Rezava seu nome
Olhava na janela
Chorava seu nome
Mexia em sua roupa
Gemia seu nome
Morria de sede
Subia as paredes
Me amava sozinha
Você não me vinha.

Pois é....
Que ficou impossível não ver
Mudei de você
Já não me inicia
Já não me arrepia
Estou mais atrevida
Tô cheia de vida
Você não me provoca
Nem quando me toca
Agora eu tenho
É fome de homem
Que seja feliz
Estou mais atrevida
Tô cheia de vida
Você não me provoca
Nem quando me toca
Agora eu tenho
É fome de homem
Que seja feliz.


Ivan Lins e Vitor Martins

27 de outubro de 2008

Estrelas



"Estamos todos na sarjeta, mas alguns de nós olham para as estrelas."


Oscar Wilde

21 de outubro de 2008

Eternidade !!!


Amanheci pra vida

De um sono profundo e sereno,
Imersa em sonhos já antes sonhados
Revolta em pesadelos agora vividos.
Mergulhada numa inércia profunda
Vegetando harmonicamente com tudo.
Desejando, sonhando, idealizando, sentindo...

Caminhei caminhos estranhos
Longos e às vezes conhecidos.
Trilhei veredas, prados e calmarias
Em que a alma repousa tranqüila.
Tirei pedras dessas estradas,
Com as mãos de artistas para não deixar pegadas.
Arranhei a alma, essa desconhecida
Para não deixar que o desejo me vencesse
Pro mundo não saber que nas entranhas,
Jazia o calor da alma, que mesmo estranha,
Sonha sonhos de uma vida
Talvez em outros tempos vivida.

E o corpo, que esconde a alma,
Estranha a estranha alma que domina o corpo.
Sente a sede de um amor conhecido,
Esquecido por ela, essa estranha,
Que já tem vivido antes
Sonhou tanto que se aquietou,
Numa aceitação insana,
Que faz do corpo uma prisão eterna,
Para a alma,
Que sendo estranha
Reaja ao seu cativeiro.
Queria romper fronteiras
Invadir espaços, e ganhar o eterno tempo
Criar novos rumos.
Acreditar em verdades novas,
Verdades surgidas das grades que a sufocam.
Alçar vôos por entre as grades
Buscar o sol que a fresta traz
Esquentando a alma, essa estranha
Que de tanto se esforçar, prá se esconder
Se mostra por inteira.

E agora, alma e corpo,
Embora estranhos,
Travam batalhas em suas entranhas
Que agora despertadas
Vão povoar os sonhos da noite que não termina...
Os poros reagem exalando um cheiro
Do amor sufocado.
E pelo quarto, no ar,
Sente-se um aroma
Agora desconhecido
Do corpo e da alma,
Que ainda estranha
Se afoga em prantos e se lamenta
Pelo corpo que a afugente buscando
Ser o que sempre queria,
O que surgiu na madrugada fria,
Trazida pelo despertar dos sonhos.

Agora quase no comando
O corpo domina a alma e se entrega
E se vê liberta de grades conhecidas,
Antigas e presas por raízes profundas.
Eleva-se ao estado da plenitude,
E atinge a outra alma, essa não estranha,
Que esperava por toda eternidade
Por aquela que agora conhecida,
E aconchega, e traz consigo
O amor que atravessou o tempo.
Venceu barreiras
Navegou pelos mares do infinito,
E encontrou abrigo junto à ela...

A alma dessa estranha, que vivia e
sonhava, enquanto na agonia esperava.
Por esse encontro
Que se não se der no agora
Terá ainda a ausência do tempo
A eternidade infinita pra se encontrar.

E então, essas almas
Juntas
Irão se completar
Até que a eternidade acabe....

Norma Andrade

14 de outubro de 2008

Leiam com muita atenção:

Em algum momento ela aparece, e não há como fugir. Morar sozinha é ter de matar a própria barata. Esse era um dos pavores de Alessandra Bourdot, uma das entrevistadas do meu livro. Ela narra um de seus encontros com a intrusa: “Apareceu uma barata no banheiro. Eu estava tomando banho, ela entrou, eu saí. Eu estava com xampu na cabeça e, para me acalmar, repetia em pensamento: ‘É um besouro, é um besouro’. Fechei a porta, entupi o banheiro de veneno e ela ficou lá até o dia seguinte porque meu vizinho, que me ajuda nessas horas, não estava. No dia seguinte, ele foi remover o ‘cadáver’. Mas ela passou a noite inteira ali, me assombrando. Foi horrível!”, diz. Eu também tenho medo. É o único bicho que mato, por razões óbvias. O assunto é nojentinho, mas tem motivo para virar post: descobri, há pouco tempo, que a melhor coisa para matar barata não é chinelo nem veneno. É spray de secar esmalte de unhas! Mais eficiente porque paralisa a intrusa. Evita quela correria para debaixo da mesa, da cadeira. E você, tem pavor de barata? Tem pena? Como enfrenta La Cucaracha?


Rosane Queiroz

11 de outubro de 2008

Minha alma...

Imagens Para Orkut

Não sei quem sou, que alma tenho.
Quando falo com sinceridade não sei com que sinceridade falo.
Sou variamente outro do que um eu que não sei se existe (se é esses outros)...
Sinto crenças que não tenho.
Enlevam-me ânsias que repudio.
A minha perpétua atenção sobre mim perpetuamente me ponta
traições de alma a um carácter que talvez eu não tenha,
nem ela julga que eu tenho.
Sinto-me múltiplo.
Sou como um quarto com inúmeros espelhos fantásticos
que torcem para reflexões falsas
uma única anterior realidade que não está em nenhuma e está em todas.
Como o panteísta se sente árvore (?) e até a flor,
eu sinto-me vários seres.
Sinto-me viver vidas alheias, em mim, incompletamente,
como se o meu ser participasse de todos os homens,
incompletamente de cada (?),
por uma suma de não-eus sintetizados num eu postiço."

Fernando Pessoa

9 de outubro de 2008

Desculpa-me

Imagens Para Orkut


Desculpa...

By Ana Carolina

Te olho nos olhos e você reclama...
Que te olho muito profundamente.

Desculpa,
Tudo que vivi foi muito

profundamente...
Eu te ensinei quem sou...
E você foi me tirando...
Os espaços entre os abraços,
Guarda-me apenas uma fresta.

Eu que sempre fui livre,
Não importava o que os outros dissessem.

Até onde posso ir para te resgatar?

Reclama de mim, como se houvesse possibilidade...
De me inventar de novo.

Desculpa...
Desculpa se te olho profundamente,

rente à pele...
A ponto de ver seus ancestrais...
Nos seus traços.

A ponto de ver a estrada...
Onde ficam seus passos.

Eu não vou separar minhas vitórias
Dos meus fracassos!

Eu não vou renunciar a mim;

Nenhuma parte, nenhum pedaço do meu ser
Vibrante, errante, sujo, livre, quente.

Eu quero estar vivo e permanecer
Te olhando profundamente.

8 de outubro de 2008

Como as mulheres dominaram o mundo

Conversa entre pai e filho, por volta do ano de 2031 sobre como as mulheres dominaram o mundo.
-Foi assim que tudo aconteceu, meu filho...
Elas planejaram o negócio discretamente, para que não notássemos Primeiro elas pediram igualdade entre os sexos. Os homens, bobos, nem deram muita bola para isso na ocasião. Parecia brincadeira.
Pouco a pouco, elas conquistaram cargos estratégicos: Diretoras de Orçamento, Empresárias, Chefes de Gabinete, Gerentes disso ou daquilo.
-E aí, papai?
-Ah, os homens foram muito ingênuos. Enquanto elas conversavam ao telefone durante horas a fio, eles pensavam que o assunto fosse telenovela. Triste engano. De fato, era a rebelião se expandindo nos inocentes intervalos comerciais. "Oi querida!", por exemplo, era a senha que identificava as líderes. "Celulite", eram as células que formavam a organização. Quando queriam se referir aos maridos, diziam "O regime".
-E vocês? Não perceberam nada?
-Ficávamos jogando futebol no clube, despreocupados. E o que é pior:
Continuávamos a ajudá-las quando pediam. Carregar malas no aeroporto, consertar torneiras, abrir potes de azeitona, ceder a vez nos naufrágios. Essas coisas de homem.
-Aí, veio o golpe mundial?!?
-Sim o golpe. O estopim foi o episódio Hillary-Mônica. Uma farsa. Tudo armado para desmoralizar o homem mais poderoso do mundo. Pegaram-no pelo ponto fraco, coitado. Já lhe contei, né? A esposa e a amante, que na TV posavam de rivais eram, no fundo, cúmplices de uma trama diabólica. Pobre Presidente...
-Como era mesmo o nome dele?
-William, acho. Tinha um apelido, mas esqueci... Desculpe, filho, já faz tanto tempo...
-Tudo bem, papai. Não tem importância. Continue...
-Naquela manhã a Casa Branca apareceu pintada de cor-de-rosa. Era o sinal que as mulheres do mundo inteiro aguardavam. A rebelião tinha sido vitoriosa! Então elas assumiram o poder em todo o planeta. Aquela torre do relógio em Londres chamava-se Big-Ben, e não Big-Betty, como agora... Só os homens disputavam a Copa do Mundo, sabia? Dia de desfile de moda não era feriado. Essa Secretária Geral da ONU era uma simples cantora. Depois trocou o nome de Madonna para Mandona...
-Pai, conta mais...
-Bem filho... O resto você já sabe.Instituíram o Robô "Troca-Pneu" como equipamento obrigatório de todos os carros...A Lei do Já-Prá-Casa, proibindo os homens de tomar cerveja depois do trabalho...E, é claro, a famigerada semana da TPM, uma vez por mês...
-TPM???
-Sim, TPM... A Temporada Provável de Mísseis... E quando elas ficam irritadíssimas e o mundo corre perigo de confronto nuclear...
-Sinto um frio na barriga só de pensar, pai...
-Sssshhh! Escutei barulho de carro chegando. Disfarça e continua picando essas batatas...



Luis Fernando Verissímo

Quem sou eu ???

Quem sou eu?? Quando não temos nada de prático nos atazanando a vida, a preocupação passa a ser existencial. Pouco importa de onde viemos e para onde vamos, mas quem somos é crucial descobrir.

A gente é o que a gente gosta. A gente é nossa comida preferida, os filmes que a gente curte, os amigos que escolhemos, as roupas que a gente veste, a estação do ano preferida, nosso esporte, as cidades que nos encantam. Você não está fazendo nada agora? Eu idem. Vamos listar quem a gente é: você daí e eu daqui.

Eu sou outono, disparado. E ligeiramente primavera. Estações transitórias.

Sou Woody Allen. Sou Lenny Kravitz. Sou Marilia Gabriela. Sou Nelson Motta. Sou Nick Hornby. Sou Ivan Lessa. Sou Saramago.

Sou pães, queijos e vinhos, os três alimentos que eu levaria para uma ilha deserta, mas não sou ilha deserta: sou metrópole.

Sou bala azedinha. Sou coca-cola. Sou salada caprese. Sou camarão à baiana. Sou filé com fritas. Sou morango com sorvete de creme. Sou linguado com molho de limão. Sou cachorro-quente só com mostarda e queijo ralado. Do churrasco, sou o pão com alho.

Sou livros. Discos. Dicionários. Sou guias de viagem. Revistas. Sou mapas. Sou Internet. Já fui muito tevê, hoje só um pouco GNT. Rádio. Rock. Lounge. Cinema. Cinema. Cinema. Teatro.

Sou azul. Sou colorada. Sou cabelo liso. Sou jeans. Sou balaio de saldos. Sou ventilador de teto. Sou avião. Sou jeep. Sou bicicleta. Sou à pé.

Você está fazendo sua lista? Tô esperando.

Sou tapetes e panos. Sou abajur. Sou banho tinindo. Hidratantes. Não sou musculação, mas finjo que sou três vezes por semana. Sou mar. Não sou areia. Sou Londres. Rio. Porto Alegre.

Sou mais cama que mesa, mais dia que noite, mais flor que fruta, mais salgado que doce, mais música que silêncio, mais pizza que banquete, mais champanhe que caipirinha. Sou esmalte fraquinho. Sou cara lavada. Sou Gisele. Sou delírio. Sou eu mesma.

Agora é sua vez.



4 de outubro de 2008

Menina Moça !!!

Menina Moça

Está naquela idade inquieta e duvidosa,
Que não é dia claro e é já o alvorecer;
Entreaberto botão, entrefechada rosa,
Um pouco de menina e um pouco de mulher.

Às vezes recatada, outras estouvadinha,
Casa no mesmo gesto a loucura e o pudor;
Tem cousas de criança e modos de mocinha,
Estuda o catecismo e lê versos de amor.

Outras vezes valsando, o seio lhe palpita,
De cansaço talvez, talvez de comoção.
Quando a boca vermelha os lábios abre e agita,
Não sei se pede um beijo ou faz uma oração.

Outras vezes beijando a boneca enfeitada,
Olha furtivamente o primo que sorri;
E se corre parece, à brisa enamorada,
Abrir as asas de um anjo e tranças de uma huri.

Quando a sala atravessa, é raro que não lance
Os olhos para o espelho; e raro que ao deitar
Não leia, um quarto de hora, as folhas de um romance
Em que a dama conjugue o eterno verbo amar.

Tem na alcova em que dorme, e descansa de dia,
A cama da boneca ao pé do toucador;
Quando sonha, repete, em santa companhia,
Os livros do colégio e o nome de um doutor.

Alegra-se em ouvindo os compassos da orquestra;
E quando entra num baile, é já dama do tom;
Compensa-lhe a modista os enfados da mestra;
Tem respeito a Geslin, mas adora a Dazon.

Dos cuidados da vida o mais tristonho e acerbo
Para ela é o estudo, excetuando-se talvez
A lição de sintaxe em que combina o verboTo love,
mas sorrindo ao professor de inglês.

Quantas vezes, porém, fitando o olhar no espaço,
Parece acompanhar uma etérea visão;
Quantas cruzando ao seio o delicado braço
Comprime as pulsações do inquieto coração!

Ah! se nesse momento, alucinado, fores
Cair-lhe aos pés, confiar-lhe uma esperança vã,
Hás de vê-la zombar de teus tristes amores,
Rir da tua aventura e contá-la à mamã.

É que esta criatura, adorável, divina,
Nem se pode explicar, nem se pode entender:
Procura-se a mulher e encontra-se a menina,
Quer-se ver a menina e encontra-se a mulher.


Machado de Assis

"Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é..." Catetano Veloso

"Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é..." Catetano Veloso

Musica em minha vida para tocar a tua!

"A vida:... uma aventura obscena de tão lúcida..." Hilda Hist

"És um dos deuses mais lindos...Tempo tempo tempo tempo..." Caetano Veloso

"SOU METAL, RAIO, RELÂMPAGO E TROVÃO..." Renato Russo

"SOU METAL, RAIO, RELÂMPAGO E TROVÃO..." Renato Russo
RAINHA VICTORIA CATHARINA

"De seguir o viajante pousou no telhado, exausta, a lua." Yeda P. Bernis

"Falo a língua dos loucos, porque não conheço a mórbida coerência dos lúcidos" Fernando Veríssimo

"O que verdadeiramente somos é aquilo que o impossível cria em nós."