EU... Eu, eu mesmo... Eu, cheia de todos os cansaços, Quantos o mundo pode dar. — Eu... Afinal tudo, porque tudo é eu, E até as estrelas, ao que parece, Me saíram da algibeira para deslumbrar crianças... Que crianças não sei... Eu... Imperfeita? Incógnita? Divina? Não sei... Eu... Tive um passado? Sem dúvida... Tenho um presente? Sem dúvida... Terei um futuro? Sem dúvida... A vida que pare de aqui a pouco... Mas eu, eu... Eu sou eu, Eu fico eu, Eu... (Fernando Pessoa)

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11 de setembro de 2012

Só hoje...




"Algumas pessoas te olham e te veem sorrindo ou chorando e imaginam o porque de tanta alegria ou de tanta tristeza, mas o que algumas pessoas não entendem é que nem todo choro é de tristeza e que nem todo sorriso é de felicidade. A vida é como uma montanha-russa sobe e desce e você é a única pessoa que pode decidir se fica lá em cima ou se desce e se perde naquela profundidade que muitas vezes não tem volta. Eu valorizo a vida, e valorizo cada pessoa que tenho nela eu não sei o dia de amanhã, eu não sei o que me aguarda mas eu tenho planos e se Deus quiser irei realiza-los não importa quanto tempo leve, não importa se as pessoas duvidarem eu sei que eu posso ir longe e que sou forte o suficiente para superar qualquer obstáculo que apareça. Não isso não é convencimento são apenas perspectivas, desejos e sonhos que não ficarão só nas palavras, a partir de agora serão mostrados através de atitudes."

Glaucia Oliveira



14 de junho de 2008

Uma Rainha Triste

O Príncipe das Estrelas



Num tempo remoto, num reino distante, nasceu um homem que,desde pequeno, sonhava possuir algo de muito valor na vida. Na sua infância deitava-se à sombra das árvores, imaginando...O anil dos olhos mirando o azul do céu, passava horas a fio idealizando poder e riqueza. Mais que isso,ambicionava conquistar aquilo que de mais grandioso sabia: a natureza em todo seu esplendor...Sua vida era planejar o futuro. Um futuro brilhante.Perdido em devaneios, carecia de tempo para notar as pessoas à sua volta. Assim foi que passou-lhe despercebida aquela garotinha que, na espreita e silenciosamente, o observava, quiçá o admirando... Fato era ser belo este nosso jovem, e inteligente, e forte, e ambicioso. Primaveras e invernos passaram velozes e ele cresceu. Muito e muito lutou por sua prosperidade e poder...E, de todos é sabido, que transformou-se de fato não só no mais rico, como também no mais poderoso e invejado Príncipe de todos os tempos, de todos os reinos. Suas façanhas alcançaram os sete cantos da terra. Tomou para si coisas nunca dantes conquistadas. Em uma caixinha de ouro aprisionou o mais suave canto dos pássaros. Com cuidado guardou no baú o fino orvalho da madrugada.Num recipiente de madeira acalentou um sutil raio de sol.Arquivou as rebuscadas palavras e os sinceros sentimentos dos poetas. Em uma das luxuosas salas de seu castelo armazenou as mais belas melodias de líricos menestréis. E, o mais assombroso, conseguiu aprisionar o lume das estrelas numa caixeta de cristal.É bem verdade que o soberano passou anos felizes em seu castelo, alimentando-se de sua glória e fulgor... Assim foi até que um dia instalou-se um enorme vazio no peito.Tinha poder e riqueza, honrarias e fama.Quase tudo com o que sonhara.Faltava-lhe algo inefável... Sim, uma presença companheira, alguém com quem pudesse compartilhar o sucesso.Passeando certa vez por seus imensos pomares, deitou-se melancólico à sombra de uma das árvores, para o límpido do céu apreciar. Recordou a época em que era apenas um menino e almejava obter tudo aquilo que agora lhe era real... Subitamente pressentiu alguém espreitando-o, admirando-o, talvez...Olhou para os lados, vasculhou, mas nada viu.Era somente a vaga lembrança de uma menina travessa que se fazia presente.Teve o ímpeto de gritar o seu nome – qual mesmo seria ele? – e com ela conversar. Dizer de suas lutas e temores, mágoas e realizações... Entretanto de nada adiantaria gritar.Sua tênue memória conseguia trazer de volta apenas a expressão dos olhos cor de mel daquela criatura longínqua. Foi aí que percebeu, com tristeza, que nem mesmo o tremeluzir das estrelas em sua caixeta de cristal era tão enigmático, atraente e belo.Com amargura descobriu que seria o brilho daquele olhar o seu maior e mais valioso tesouro...O único que, em tempo algum, preocupou-se em conquistar. Aquele que jamais haveria de ter.Ainda hoje, contam a história do Príncipe das Estrelas, como era conhecido este nosso personagem.A sabedoria popular acrescenta que, ao fazermos planos para o futuro, devemos cuidar para que neles não falte o lume dos olhos de alguém ao nosso lado.A trágica consequência deste esquecimento seria, sem dúvida, o maior de todos os sofrimentos : a solidão.

Sheila Alves

Uma Rainha Triste



Era uma vez um homem.
Centrado em suas verdades,
falava através do silêncio.
Mas na transparência
e na quietude de suas palavras,
feito canção que se compõe
entre os olhares dos apaixonados,
surgiam versos como surge o perfume das flores.
Ainda que existisse,
tantas vezes se perguntava se ele era real.
Amava por inteiro;
queria ser amado sem exigir sentimentos.
Para ele, o amor só valia quando causava alegria.
Era de um tanto dedicado que perturbava aqueles
que não sabem receber o amor.
Porque não é simples recebê-lo.
Mas talvez perturbasse
mais por não deixar-se desvendar...
Era homem, feito anjo;
sem asas, era anjo, feito homem.
Sabia voar, a sua maneira,
através das coisas que sentia...
Mas, além disso, sabia fazer voar,
através dos sentimentos que oferecia.
Talvez não fosse um homem,
talvez nem fosse um anjo...
Certamente isso é uma fábula
para quem não acredita em anjos
ou em arco-íris ou mesmo em amor...

Rosana Braga



Uma Rainha Triste


"Costuro o infinito sobre o peito.
E, no entanto, sou água fugidia e amarga.
E sou crível e antiga como aquilo que vês:
Pedras, frontões no todo inamovível.
Terrena, me adivinho montanha algumas vezes.
Recente, inumana, inexprimível
Costuro o infinito sobre o peito
Como aqueles que amam..."

Hilda Hilst

Uma Rainha Triste




Bati no portão do tempo perdido,
ninguém atendeu.
Bati segunda vez e mais outra e mais outra.
Resposta nenhuma.
A casa do tempo perdido está coberta de hera
pela metade: a outra metade são cinzas.
Casa onde não mora ninguém,
e eu batendo e chamando
pela dor de chamar e não ser escutado.
Simplesmente bater.
O eco devolve minha ânsia de
entreabrir esses paços gelados.
A noite e o dia se confundem no esperar,
no bater e bater.

O tempo perdido certamente não existe.

Carlos Drummond de Andrade

Uma Rainha Triste

''TENHO UMA ALMA QUE VOA,
QUE SE RECUSA A SER PRISIONEIRA
A VIVER PERDIDA DE QUALQUER MANEIRA
QUE NUNCA PERDEU A CAPACIDADE DE SONHAR
UMA ALMA QUE EMBORA ENRAIZADA,
NUNCA PAROU DE VIAJAR
QUE PERSEGUE SONHOS ANTIGOS...
AVENTUREIRA E AUDAZ...
QUE ENFRENTA TODOS OS PERIGOS...
QUE APRENDEU A SEGUIR
EM FRENTE E NAO A FICAR.
TENHO UMA ALMA QUE A FORÇA QUER SER FELIZ...
APESAR DOS TOMBOS QUE JA LEVOU DA VIDA.
AVANÇA EM FRENTE PRA SEMPRE ERGUIDA
ESCULTA A RAZÃO...
MAIS SEGUE SEMPRE O CORAÇAO

VOA ALMA... VOA ...”

Stella

Uma Rainha Triste

O Haver



Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura
Essa intimidade perfeita com o silêncio
Resta essa voz íntima pedindo perdão por tudo
- Perdoai-os! porque eles não têm culpa de ter nascido...

Resta esse antigo respeito pela noite, esse falar baixo
Essa mão que tateia antes de ter, esse medo
De ferir tocando, essa forte mão de homem
Cheia de mansidão para com tudo quanto existe.

Resta essa imobilidade, essa economia de gestos
Essa inércia cada vez maior diante do Infinito
Essa gagueira infantil de quem quer exprimir o inexprimível
Essa irredutível recusa à poesia não vivida.

Resta essa comunhão com os sons, esse sentimento
Da matéria em repouso, essa angústia da simultaneidade
Do tempo, essa lenta decomposição poética
Em busca de uma só vida, uma só morte, um só Vinicius.

Resta esse coração queimando como um círio
Numa catedral em ruínas, essa tristeza
Diante do cotidiano; ou essa súbita alegria
Ao ouvir passos na noite que se perdem sem história.

Resta essa vontade de chorar diante da beleza
Essa cólera em face da injustiça e o mal-entendido
Essa imensa piedade de si mesmo, essa imensa
Piedade de si mesmo e de sua força inútil.

Resta esse sentimento de infância subitamente desentranhado
De pequenos absurdos, essa capacidade
De rir à toa, esse ridículo desejo de ser útil
E essa coragem para comprometer-se sem necessidade.

Resta essa distração, essa disponibilidade, essa vagueza
De quem sabe que tudo já foi como será no vir-a-ser
E ao mesmo tempo essa vontade de servir, essa
Contemporaneidade com o amanhã dos que não tiveram ontem nem hoje.

Resta essa faculdade incoercível de sonhar
De transfigurar a realidade, dentro dessa incapacidade
De aceitá-la tal como é, e essa visão
Ampla dos acontecimentos, e essa impressionante

E desnecessária presciência, e essa memória anterior
De mundos inexistentes, e esse heroísmo
Estático, e essa pequenina luz indecifrável
A que às vezes os poetas dão o nome de esperança.

Resta esse desejo de sentir-se igual a todos
De refletir-se em olhares sem curiosidade e sem memória
Resta essa pobreza intrínseca, essa vaidade
De não querer ser príncipe senão do seu reino.

Resta esse diálogo cotidiano com a morte, essa curiosidade
Pelo momento a vir, quando, apressada
Ela virá me entreabrir a porta como uma velha amante
Mas recuará em véus ao ver-me junto à bem-amada...

Resta esse constante esforço para caminhar dentro do labirinto
Esse eterno levantar-se depois de cada queda
Essa busca de equilíbrio no fio da navalha
Essa terrível coragem diante do grande medo, e esse medo
Infantil de ter pequenas coragens.


Vinicius de Moraes

13 de junho de 2008

Uma Rainha Triste


"Tem uma hora que bate uma tristeza tão grande que eu não sei o que fazer e nem pra onde ir e tanta coisa que eu queria dizer, mas não tem ninguém pra ouvir...

Então choro
Sem ninguém ver
Eu choro, choro..."

Fábio Junior

28 de maio de 2008

Uma Rainha Triste

O Banquete Infinito



Poesia chorada, como o mar sob a chuva?

Poesia aflita, como um farol no denso nevoeiro?

Poesia angustiada, como a futura mãe?

Alegre o olhar, os meus dedos são mensageiros dos deuses

E cantam o que me sobra e eu não sei entender.

Alegre o coração, escapa-se de mim um fumo de dor,

E enquanto rio, sou também lágrimas e soluços.

O acordo é uma promessa do paraíso perdido mas não morto,

pois as suas portas choram por mim em mim.





Poesia triste, triste face, coração ardente, sorriso imanente,

Tudo se comprime num verso obscuro e intocável.

Julgo perder-me num meandro de luzes e sombras,

De estrelas e pântanos, profetas e deuses.

Tarda-me a achar o caminho dos caminhos.

Aquele que, enfim, conduz a alguma parte.

Sei que tudo é — mas como conhecer o que, sendo, indica e ilumina?

Os meus gestos são pesados e lentos, pois temem

Matar o inocente e dar vida ao monstro.

Já não hesitam, porém, e quando eu puder olhar atrás de mim

A estrada percorrida, os destroços abandonados,

Os cadáveres imolados à vontade torturada,

Então sabereis os frutos a escolher e os manjares a saborear

espera-me o banquete infinito.

Iguaria ou conviva, o que importa é chegar com o destino cumprido.





Antônio Quadros

Uma Rainha Triste


"- Um dia vi o Sol pôr-se quarenta e três vezes!
E pouco depois acrescentaste:
- Sabes quando se está muito, muito triste, é bom ver o pôr do Sol...
- E estavas assim tão triste no dia das quarenta e três vezes?
Mas o principezinho não me respondeu."

"O principezinho", Saint-Exupéry

... lindo e louco

Se tu viesses ver-me...
Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,A essa hora dos mágicos cansaços,Quando a noite de manso se avizinha,E me prendesses toda nos teus braços...Quando me lembra: esse sabor que tinha A tua boca... o eco dos teus passos...O teu riso de fonte... os teus abraços...Os teus beijos... a tua mão na minha...Se tu viesses quando, lindo e louco,Traça as linhas dulcíssimas dum beijo E é de seda vermelha e canta e ri,E é como um cravo ao sol a minha boca...Quando os olhos se me cerram de desejo...E os meus braços se estendem para ti...

Florbela Espanca

25 de maio de 2008

Absurdo...

ABSURDO:

15 Mulheres são queimadas vivas no Quênia acusadas de bruxaria:

Qua, 21 Mai.
NYAKEO, Quênia (AFP) - Uma multidão descontrolada queimou vivas quinze mulheres acusadas de bruxaria em um povoado do Quênia, segundo um correspondente da AFP.Dezenas de pessoas tomadas pela fúria foram de porta em porta no povoado de Nyakeo, 300 km a oeste de Nairóbi, prendendo as vítimas antes de imolá-las, informou à AFP um responsável local e vários habitantes do povoado.
"É inaceitável. As pessoas não podem fazer justiça por si mesmas porque suspeitam de alguém", declarou o responsável local do distrito, Mwangi Ngunyi.Dezenas de pessoas acusadas de bruxaria foram assassinadas no oeste do Quênia nos anos noventa.
Na região, corria o boato de que essas pessoas atraíam o azar e tornavam as pessoas canibais, surdas, mudas ou sonâmbulas. A região passou a ter a reputação de ser uma "área de bruxas".

19 de maio de 2008

Uma Rainha Triste

MÃE

Palavras, calas, nada fiz
Estou tão infeliz
Falasses, desses, visses, não
Imensa solidão

Eu sou um rei que não tem fim
E brilhas dentro aqui
Guitarras, salas, vento, chão
Que dor no coração

Cidades, mares, povo, rio
Ninguém me tem amor
Cigarras, camas, colos, ninhos
Um pouco de calor

Eu sou um homem tão sozinho
Mas brilhas no que sou
E o meu caminho e o teu caminho
É um nem vais, nem vou

Meninos, ondas, becos, mãe
E, só porque não estás
És para mim e nada mais
Na boca das manhãs

Sou triste, quase um bicho triste
E brilhas mesmo assim
Eu canto, grito, corro, rio
E nunca chego a ti.


Caetano Veloso


27 de fevereiro de 2008

Uma Rainha Triste


"La esperanza es un estimulante vital muy superior a la suerte. "
NIETZSCHE, Friedrich

Credo

Caminhando pela noite de nossa cidade
Acendendo a esperança e apagando a escuridão
Vamos, caminhando pelas ruas de nossa cidade
Viver derramando a juventude pelos corações
Tenha fé no nosso povo que ele resiste
Tenha fé no nosso povo que ele insiste
E acorda novo, forte, alegre, cheio de paixão
Vamos, caminhando de mãos dadas com a alma nova
Viver semeando a liberdade em cada coração
Tenha fé no nosso povo que ele acorda
Tenha fé em nosso povo que ele assusta
Caminhando e vivendo com a alma aberta
Aquecidos pelo sol que vem depois do temporal
Vamos, companheiros pelas ruas de nossa cidade
Cantar semeando um sonho que vai ter real
Caminhemos pela noite com a esperança
Caminhemos pela noite com a juventude.


Milton Nascimento e Fernando Brant

26 de fevereiro de 2008

Uma Rainha Triste

Quem É Muito Querido a Mim


Quem é muito querido
Quem é muito querido a mim
É muito querido a mim.

Aquele que não inveja
Que é amigo sincero
De todos os seres vivos
Que não tem senso de posse
Que tem a mesma atitude
Na tristeza ou na alegria
Que é sempre determinado
Tendo a mente e o intelecto
Harmonizados comigo
É muito querido a mim
Harmonizados comigo
É muito querido a mim.

Quem nunca perturba os outros
Nem se deixa perturbar
Além da dualidade

Do sofrimento e prazer
Livre do medo e da angústia
Também é muito querido
Aquele que não se apega
Nem ao prazer nem à dor
Que não rejeita ou deseja
Ao que agrada ou aborrece
Renunciando igualmente
É muito querido a mim
Renunciando igualmente
É muito querido a mim
Quem age do mesmo modo
Com amigos e inimigos
E não muda de atitude
No ostracismo ou na glória
No sucesso ou no fracasso
Que nunca se contamina
E sempre fica contente
Com o que lhe é oferecido
Este me é muito querido
É muito querido a mim.

Este me é muito querido
É muito querido a mim.

Geraldo Azevedo e Rogério Duarte

19 de fevereiro de 2008

Uma Rainha Triste

Há corpos que se perdem
Nos dias, nos, meses, nos anos
E se reencontram em liberdade na velhice da rua.

Ama mais um dia
Mais um dia de vida
Na sensualidade do teu corpo
Que semeia partes
Deixando o néctar de fluidos
Corpo repleto de vaidade
Com os cabelos derrotados
Os dentes falidos
As carnes flácidas
As rugosidades invasoras.

Ama mais um dia
Com orgulho das cicatrizes
Ditadas por nós
Cicatrizes nascidas no escárnio do amor
Na penetração dos corpos desnudados
Pela arte do orgasmo
Pela auto-abjeção à perfeição.

Ama mais um dia
Repousa no leito da procriação
Repousa o teu ser no fálico guerreiro
Que rende a calma do distanciamento
E se entranha na alma do mundo
No cerne de vaginas sedentas do desejo
Nos motes que ficam por gritar
Nos locais que ficam por queimar
Nas heranças orgânicas
E de sofrimento interno
A sangue inerte que fica por conceber.

Ama mais um dia
Supera as limitações do mundo
Para o qual foste atirado
Corre despido e nu
Empunhando a vergonha mutilada como rosas
O coração dilacerado como armas
Mas a vida em pura alforria

LIBERDADE aos corpos que se penetram em êxtase
LIBERDADE todas as horas, todos os minutos, todos os segundos
LIBERDADE na celebração de mais um dia de amor
LIBERDADE de quem mais um dia venceu a morte.

João Cordeiro

Uma Rainha Triste

a espada do vento e do trovão...

emergindo de um estado de sem vontade
procuro por entre as estrelas um sinal...
nesta viagem busco mais que uma rara realidade...
e além do meu dragão tenho sempre por companhia
a minha espada do vento e do trovão...

foi forjada há muito, mas continua resistente as batalhas,
com a flexibilidade que lhe é característica e devido ao seu bohi
ouço a melodia que há muito preenche os meus dias...
na lâmina sinto um lamento angustiante...
corto o cativeiro imposto pela humanidade,
e deixo-a brilhar em todo o seu esplendor...

reluz sob a luz do fogo que crepita na fogueira,
clama pela liberdade e num murmúrio de rebeldia
corta o vento e faz soar o trovão que contém dentro de si...
sinto-a a cantar...
e unidas por um desejo, partilhando uma paixão,
num momento único... indivisível... onde o mundo não existe,
somos una... doamo-nos mutuamente... em mais uma luta...

luto agora, porque amanhã, quem sabe, já foi tarde demais...
e na verdade, a luta pode não valer o sonho,
mas o sonho vale sempre a luta...


By dreams

16 de fevereiro de 2008

Uma Rainha Triste


"Estou hoje num dos meus dias cinzentos; dia em que tudo é baço e pesado como a cinza, dia em que tudo tem a cor uniforme e nevoente dele, desse cinza em que às vezes sinto afundar o meu destino.
Fizeram-se ruínas todas as minhas ilusões, e, como todos os corações verdadeiramente sinceros e meigos, despedaçou-se o meu para sempre."


Florbela Espanca

15 de fevereiro de 2008

Uma Rainha Triste

Aprendi que apesar dos tons cinzentos que me rodeiam, e dos sons da banalidade que me vão chegando, sou dona de um poder enorme que me faz viajar incólume para lugares só meus. Sítios que pinto com a paleta dos meus sonhos.

Tereza

"Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é..." Catetano Veloso

"Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é..." Catetano Veloso

Musica em minha vida para tocar a tua!

"A vida:... uma aventura obscena de tão lúcida..." Hilda Hist

"És um dos deuses mais lindos...Tempo tempo tempo tempo..." Caetano Veloso

"SOU METAL, RAIO, RELÂMPAGO E TROVÃO..." Renato Russo

"SOU METAL, RAIO, RELÂMPAGO E TROVÃO..." Renato Russo
RAINHA VICTORIA CATHARINA

"De seguir o viajante pousou no telhado, exausta, a lua." Yeda P. Bernis

"Falo a língua dos loucos, porque não conheço a mórbida coerência dos lúcidos" Fernando Veríssimo

"O que verdadeiramente somos é aquilo que o impossível cria em nós."