Belos amores perdidos,Muito fiz eu com perder-vos;
Deixar-vos sim; esquecer-vos
Fora demais, não o fiz.
Tudo se arranca do seio,
- Amor, desejo, esperança...
Só não se arranca a lembrança
De quando se foi feliz.
Vicente de Carvalho
EU... Eu, eu mesmo... Eu, cheia de todos os cansaços, Quantos o mundo pode dar. — Eu... Afinal tudo, porque tudo é eu, E até as estrelas, ao que parece, Me saíram da algibeira para deslumbrar crianças... Que crianças não sei... Eu... Imperfeita? Incógnita? Divina? Não sei... Eu... Tive um passado? Sem dúvida... Tenho um presente? Sem dúvida... Terei um futuro? Sem dúvida... A vida que pare de aqui a pouco... Mas eu, eu... Eu sou eu, Eu fico eu, Eu... (Fernando Pessoa)
Belos amores perdidos,
PÍLULAS DO GRANDE SERTÃOTenho sede de palavras quentes
desgarradas dos limites formais.
Tenho fome da pureza
que a "diplomacia" da vida roubou.
Tenho saudade dos luares
que a simetria da cidade retalhou.
Sinto a tristeza e o frio dos cimentos
que fizeram dos homens aves sem vôo;
das crianças, criaturas sem jardins;
dos decênios, estações sem primaveras,
impingindo um formalismo
e limitando os seres em si.
Tenho a premência coletiva
de impor os sonhos à vida;
e, do artifício de viver,
fazer da vida a delícia
que as artes vivas
procuram viver.
Tenho ansiedade
de não ficar ansiando
o que estou buscando,
na busca que busco,
antes que a busca
me possa tragar.
By Carlos Frydman
ARTE DE AMAR
Mas, no fim de tudo, isso nada importa, a não ser que você veio e sorriu e se apresentou e desceu e caiu e floresceu e chorou e enfeitou e perfumou e mudou e piscou pro mundo e pra mim, e dentro de mim alguma coisa fez ploc e outra fez clic e outra fez um barulho infernal e explodiu, e eu senti na boca um gosto de framboesa e nos pés um gosto de nuvem de chuva e no peito um gosto de o-que-é-isso-meu-deus-do-céu-minha-nossa-senhora-do-perpétuo-socorro-ave-maria-cheia-de-graça-valha-me-deus-todo-poderoso-acuda-jesus-nosso-senhor.
Anjos Caidos

dança para mim como as aves ao vento
Ele era diferente, talvez levasse consigo, um daqueles nomes que o povo inventa para colocar rótulos em nossas testas. Melhor dizendo, era apenas ele em estado bruto, original, carregado de ricos e exóticos pensamentos, onde habitava o oculto. Nele, musas presentes, cativas pelo fascínio e submissão da existência dos prazeres do corpo. Pintava com fortes cores, desejos reservados em pergaminhos, fabricados por antigas dores, revelando a beleza emergente de negras rosas. Como um artesão que se mutila, para sentir a intensidade das cores que timidamente se escondem nesse cenário pessoal.
