EU... Eu, eu mesmo... Eu, cheia de todos os cansaços, Quantos o mundo pode dar. — Eu... Afinal tudo, porque tudo é eu, E até as estrelas, ao que parece, Me saíram da algibeira para deslumbrar crianças... Que crianças não sei... Eu... Imperfeita? Incógnita? Divina? Não sei... Eu... Tive um passado? Sem dúvida... Tenho um presente? Sem dúvida... Terei um futuro? Sem dúvida... A vida que pare de aqui a pouco... Mas eu, eu... Eu sou eu, Eu fico eu, Eu... (Fernando Pessoa)

Mostrando postagens com marcador Saudades. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Saudades. Mostrar todas as postagens

24 de setembro de 2009

... feliz !!!

Belos amores perdidos,
Muito fiz eu com perder-vos;
Deixar-vos sim; esquecer-vos
Fora demais, não o fiz.

Tudo se arranca do seio,
- Amor, desejo, esperança...
Só não se arranca a lembrança
De quando se foi feliz.

Vicente de Carvalho

11 de fevereiro de 2009

"Eu sou donde nasci. Sou de outros lugares" Guimarães Rosa

PÍLULAS DO GRANDE SERTÃO

Coração de gente — o escuro, escuros.
Quem ama é sempre muito escravo, mas não obedece nunca de verdade.
Querer o bem com demais força, de incerto jeito, pode já estar sendo se querendo o mal por principiar.
No sistema de jagunços, amigo era o braço, e o aço!
Amigo, para mim, é só isto: é a pessoa com quem a gente gosta de conversar, do igual o igual, desarmado. O de que um tira prazer de estar próximo. Só isto, quase; e os todos sacrifícios. Ou — amigo — é que a gente seja, mas sem precisar de saber o por quê é que é.
O amor? Pássaro que põe ovos de ferro.
Vivendo, se aprende; mas o que se aprende, mais, é só a fazer outras maiores
perguntas.
A colheita é comum, mas o capinar é sozinho.
O diabo é às brutas; mas Deus é traiçoeiro!
O diabo na rua, no meio do redemunho.
O Arrenegado, o Cão, o Cramulhão, o Indivíduo, o Galhardo, o Pé-de-Pato, o Sujo, o Homem, o Tisnado, o Coxo, o Temba, o Azarape, o Coisa-Ruim, o Mafarro, o Pé-Preto, o Canho, o Duba-Dubá, o Rapaz, o Tristonho, o Não-sei-que-diga, O-que-nunca-se-ri, o Sem-Gracejos... Pois, não existe! E se não existe, como é que se pode se contratar pacto com ele?
Quem muito se evita, se convive.
Julgamento é sempre defeituoso, porque o que a gente julga é o passado.
O que lembro, tenho.
Mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente aprende.
Quem mói no asp'ro não fantaseia.
Quando se curte raiva de alguém, é a mesma coisa que se autorizar que essa própria pessoa passe durante o tempo governando a idéia e o sentir da gente.
Vingar... é lamber, frio, o que outro cozinhou quente demais.
Quem sabe do orgulho, quem sabe da loucura alheia?
Ser chefe — por fora um pouquinho amargo; mas, por dentro, é risonhas flores.
Um chefe carece de saber é aquilo que ele não pergunta.
Comandar é só assim: ficar quieto e ter mais coragem.
Toda saudade é uma espécie de velhice.
Riu de me dar nojo. Mas nojo medo é, é não?
Um sentir é do sentente, mas outro é do sentidor.
Tudo é e não é.
Mocidade é tarefa para mais tarde se desmentir.
Sertão é onde manda quem é forte, com as astúcias. Deus mesmo, quando vier, que venha armado!
O sertão é do tamanho do mundo.
Sertão é dentro da gente.
O sertão é sem lugar.
O sertão não tem janelas, nem portas. E a regra é assim: ou o senhor bendito governa o sertão, ou o sertão maldito vos governa.
O sertão não chama ninguém às claras; mais, porém, se esconde e acena.
O sertão é uma espera enorme.
Sertão: quem sabe dele é urubu, gavião, gaivota, esses pássaros: eles estão sempre no alto, apalpando ares com pendurado pé, com o olhar remedindo a alegria e as misérias todas.
A vida é ingrata no macio de si; mas transtraz a esperança mesmo do meio do fel do desespero.
A vida é muito discordada. Tem partes. Tem artes. Tem as neblinas de Siruiz.
Tem as caras todas do Cão e as vertentes do viver.
Manter firme uma opinião, na vontade do homem, em mundo transviável tão grande, é dificultoso.
Viver — não é? — é muito perigoso. Porque ainda não se sabe. Porque aprender-a-viver é que é o viver mesmo.
Enfim, cada um o que quer aprova, o senhor sabe: pão ou pães, é questão de opiniães...
Feito flecha, feito fogo, feito faca.
Vi: o que guerreia é o bicho, não é o homem.
Até que, um dia, eu estava repousando, no claro estar, em rede de algodão rendada. Alegria me espertou, um pressentimento. Quando eu olhei, vinha vindo uma moça. Otacília. // Meu coração rebateu, estava dizendo que o velho era sempre novo. Afirmo ao senhor, minha Otacília ainda se orçava mais linda, me saudou com o salvável carinho, adianto de amor.


João Guimarães Rosa

28 de maio de 2008

Saudadesss...


Um Sonho que ficou pendurado, à espera do seu tempo ...

3 de abril de 2008

Para sempre

"A Primeira Palavra que em toda a minha Vida me esgotou o Ser.
Disse-a.
Amo-te - uma palavra breve.
Quantos milhões de palavras eu disse durante a vida.
E ouvi. E pensei. Tudo se desfez.
Palavras sem inteira significação em si, o professor devia ter razão. Palavras que remetiam umas para as outras e se encostavam umas às outras para se agüentarem na sua rede aérea de sons.
Mas houve uma palavra - meu Deus. Uma palavra que eu disse e repercutiu em ti, palavra cheia, quente de sangue, palavra vinda das vísceras, da minha vida inteira, do universo que nela se conglomerava, palavra total. Todas as outras palavras estavam a mais e dispensavam-se e eram uma articulação ridícula de sons e mobilizavam apenas a parte mecânica de mim, a parte frágil e vã. Palavra absoluta no entendimento profundo do meu olhar no teu, palavra infinita como o verbo divino.
Recordo-a agora - onde está? Como se desfez?
Ou não desfez, mas se alterou e resfriou e absorveu apenas a fração de mim onde estava a ternura triste, o conforto humilde, a compaixão. Não haverá então uma palavra que perdure e me exprima todo para a vida inteira? E não deixe de mim um recanto oculto que não venha à sua chamada e vibre nela desde os mais finos filamentos de si?
Uma palavra.
Recupero-a agora na minha imaginação doente.
Amo-te.
Na intimidade exclusiva e ciumenta do nosso olhar mútuo e encantado. Fecha-nos o lençol na claridade difusa do amanhecer, estás perto de mim no intocável da tua doçura.
Frágil de névoa.
Fímbria de sorriso e de receio, de pavor, no meu olhar embevecido.
Uma palavra.
A primeira que em toda a minha vida me esgotou o ser.
A que foi tão completa e absorvente, que tudo o mais foi um excesso na criação.
Deus esgotou em mim, na minha boca, todo o prodígio do seu poder.
Ao princípio era a palavra.
Eu a soube.
E nada mais houve depois dela. "

Vergílio Ferreira, in 'Para Sempre'


8 de janeiro de 2008

Fazer sonhos acontecer

Tenho sede de palavras quentes

desgarradas dos limites formais.

Tenho fome da pureza

que a "diplomacia" da vida roubou.

Tenho saudade dos luares

que a simetria da cidade retalhou.

Sinto a tristeza e o frio dos cimentos

que fizeram dos homens aves sem vôo;

das crianças, criaturas sem jardins;

dos decênios, estações sem primaveras,

impingindo um formalismo

e limitando os seres em si.

Tenho a premência coletiva

de impor os sonhos à vida;

e, do artifício de viver,

fazer da vida a delícia

que as artes vivas

procuram viver.

Tenho ansiedade

de não ficar ansiando

o que estou buscando,

na busca que busco,

antes que a busca

me possa tragar.

By Carlos Frydman

25 de dezembro de 2007

Ao Cavaleiro Solitário...bjs...bjs...bjs...bjs

ARTE DE AMAR


Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus — ou fora do mundo.
As almas são incomunicáveis.

Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.
Porque os corpos se entendem, mas as almas não.

Manuel Bandeira

16 de dezembro de 2007

Lembranças da minha adolescência

Mas, no fim de tudo, isso nada importa, a não ser que você veio e sorriu e se apresentou e desceu e caiu e floresceu e chorou e enfeitou e perfumou e mudou e piscou pro mundo e pra mim, e dentro de mim alguma coisa fez ploc e outra fez clic e outra fez um barulho infernal e explodiu, e eu senti na boca um gosto de framboesa e nos pés um gosto de nuvem de chuva e no peito um gosto de o-que-é-isso-meu-deus-do-céu-minha-nossa-senhora-do-perpétuo-socorro-ave-maria-cheia-de-graça-valha-me-deus-todo-poderoso-acuda-jesus-nosso-senhor.
Pois, agora, vê se cuida de mim do meu sorriso do meu olhar do meu peito do meu sonho do meu mundo do meu dia dos meus/nossos filhos do meu pé-de-atleta de meu tudo de meu sempre.

André Gonçalves

27 de novembro de 2007

Meu anjo

Anjos Caidos

Tu dizes que sou anjo...
Talvez seja, quem sabe?
Mas... se fosse...
(Alertar-te se faz necessário)
Seria daqueles que caíram
Por vontade ou castigo
Pela esperança, motivados
De sentir as humanas expressões
Da Terra, atraídos pelo chão
Abandonando os etéreos espaços
As luzes e os celestes campos
Ansiosos por paixão.
Não seria daqueles anjos belos
Suaves, perfeitos...
E sim daqueles rudes, caricatos
Rebeldes, curiosos...
Confusos, tolos.
Talvez eu, um anjo fora,
Que por ser mais homem
Que anjo,
Preferira cair que subir,
E agora, que é caído,
Permanecer quer assim
Porque assim conheceu
O mais profundo sentimento humano
Aquele que tu, despertaste em mim
O que mais sentir faz
Todas as humanas sensações
E que saber me fez
Que um homem é capaz
De todas as angelicais percepções
O que o faz, mesmo que besta,
Um anjo!

José Antônio Gama de Souza

22 de novembro de 2007

Dançar

dança para mim como as aves ao vento
dança para mim como folhas no ar
dança para mim num erótico espasmo
de chuva em terra
de regato em serra
de búzio em mar
dança para mim que hoje é dia de festa
vem até mim em clarão de luar
dança para mim. é tudo o que me resta
faz da ausência presença
tira fé da descrença
desloca este planeta
gera uma pirueta.

quero ver-te dançar!

By your-shell

























12 de agosto de 2007

SAUDADES DE MEU PAI...

SAUDADES DE MEU PAI...

Essa saudade que sinto de meu Pai
É como viajar no infinito,
ou por caminhos desconhecidos...
Fecho os meus olhos e começo a viajar...
É como se eu voltasse no tempo,
minhas recordações começo a vivenciar...
Vejo você meu Pai, bem junto a mim,
sinto suas mãos acariciando meus cabelos,
ouço sua voz suave a me dizer que me amas...
É tanto carinho que acredito estar contigo...
Se voltar ao tempo fosse possível,voltaria e com certeza lhe diria,
coisas que lhe disse poucas vezes,
achando não seriam necessário ou deixando pra depois
e perdendo a chance de dizer...
Infinitas vezes :Painho, como eu te amo!
Partistes daqui, mas permaneces em mim,
sinto a tua presença em todos os momentos da minha vida...
nos mais difíceis, nos mais emocionantes, nos mais conflitantes,
onde a responsabilidade das minhas decisões podem custar vidas,
entretanto, mostra-me sempre o caminho das solução.
Lembra-me de forma feroz as tuas lições de caridade, caráter,
dignidade e generosidade,
ilumina-me com teu exemplo, não me deixando sequer vacilar
diante do maniqueísmo da vida.
Continuas a ser aquele Pai amoroso, companheiro,
protetor, solidário e amigo, confidente e absolvidor...
Tenho a certeza absoluta que estás sempre ao meu lado...
Hoje estás em outra dimensão, mas sei...
Que mesmo nessa dimensão estas no meu coração!
Moras aqui ainda no meu eu e te sinto com toda intensidade...

Edna Liany Carreon/MSGBN

21 de julho de 2007

Ele

Ele era diferente, talvez levasse consigo, um daqueles nomes que o povo inventa para colocar rótulos em nossas testas. Melhor dizendo, era apenas ele em estado bruto, original, carregado de ricos e exóticos pensamentos, onde habitava o oculto. Nele, musas presentes, cativas pelo fascínio e submissão da existência dos prazeres do corpo. Pintava com fortes cores, desejos reservados em pergaminhos, fabricados por antigas dores, revelando a beleza emergente de negras rosas. Como um artesão que se mutila, para sentir a intensidade das cores que timidamente se escondem nesse cenário pessoal.
Casti - Teias 2005

12 de junho de 2007

Eduardo... um ano


"As pessoas não morrem, se encantam..."
Guimarães Rosa

Eduardo...tristeza...saudades


O Mais-Que-Perfeito



Ah, quem me dera ir-me
Contigo agora
Para um horizonte firme
(Comum, embora...)
Ah, quem me dera ir-me!



Ah, quem me dera amar-te
Sem mais ciúmes
De alguém em algum lugar
Que não presumes...
Ah, quem me dera amar-te!



Ah, quem me dera ver-te
Sempre a meu lado
Sem precisar dizer-te
Jamais: cuidado...
Ah, quem me dera ver-te!



Ah, quem me dera ter-te
Como um lugar
Plantado num chão verde
Para eu morar-te
Morar-te até morrer-te...




Vinícius de Moraes

7 de janeiro de 2007

Saudades do Sertão


Lamento Sertanejo

Por ser de lá do sertão, lá do serrado
Lá do interior, do mato, da catinga, do roçado
Eu quase não saio, eu quase não tenho amigo
Eu quase que não consigo ficar na cidade sem viver contrariado
Por ser de lá, na certa, por isso mesmo
Não gosto de cama mole, não sei comer sem torresmo
Eu quase não falo, eu quase não sei de nada
Sou como rês desgarrada nessa multidão boiada
Caminhando a esmo.

Luiz Gonzaga

15 de dezembro de 2006

Gêneses


Gênese

Traz de novo aquele gosto de início e me olha com fome, as mãos ansiosas pelo meu corpo. me beija de olhos fechados e diz coisas no meu ouvido que eu nem sonho, adivinha meus desejos e me toca sem medo. descobre meus segredos, sorri quando eu me desesperar de êxtase e me deixa ver aquele brilho de conquista, seu corpo suado encostado no meu, sua saliva grudada na minha pele por todo o dia, como um perfume. me escreve, me liga, me queira como nunca, me faz gozar com suas mãos e seu sorriso somente, me faz sonhar com você a noite toda e acordar ofegante, pura lembrança. dê de volta meu corpo trêmulo de paixão, orgasmos longos como vidas inteiras, flashes de cor e luz nas carícias brincalhonas da sua língua. quero de novo ouvir minha voz gritando e ter suas mãos no meu rosto, fingindo abafar meus gritos e me dando cada vez mais.

Loreley

25 de novembro de 2006

Sonhos idos



Sonhos idos!sonhos idos!
Por que ainda pertubais meus sentidos?
Rafaela Steffen

"Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é..." Catetano Veloso

"Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é..." Catetano Veloso

Musica em minha vida para tocar a tua!

"A vida:... uma aventura obscena de tão lúcida..." Hilda Hist

"És um dos deuses mais lindos...Tempo tempo tempo tempo..." Caetano Veloso

"SOU METAL, RAIO, RELÂMPAGO E TROVÃO..." Renato Russo

"SOU METAL, RAIO, RELÂMPAGO E TROVÃO..." Renato Russo
RAINHA VICTORIA CATHARINA

"De seguir o viajante pousou no telhado, exausta, a lua." Yeda P. Bernis

"Falo a língua dos loucos, porque não conheço a mórbida coerência dos lúcidos" Fernando Veríssimo

"O que verdadeiramente somos é aquilo que o impossível cria em nós."