EU... Eu, eu mesmo... Eu, cheia de todos os cansaços, Quantos o mundo pode dar. — Eu... Afinal tudo, porque tudo é eu, E até as estrelas, ao que parece, Me saíram da algibeira para deslumbrar crianças... Que crianças não sei... Eu... Imperfeita? Incógnita? Divina? Não sei... Eu... Tive um passado? Sem dúvida... Tenho um presente? Sem dúvida... Terei um futuro? Sem dúvida... A vida que pare de aqui a pouco... Mas eu, eu... Eu sou eu, Eu fico eu, Eu... (Fernando Pessoa)

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14 de setembro de 2012

Belissimo !!!


"Sei lá, tem sempre um pôr-do-sol esperando para ser visto, uma árvore, um pássaro, um rio, uma nuvem. Pelo menos sorria, procure sentir amor. Imagine. Invente. Sonhe. Voe. Se a realidade te alimenta com "porcarias", meu irmão, a mente pode te alimentar com flores. Eu não estou fazendo nada de errado. Só estou tentando deixar as coisas um pouco mais bonitas."

Caio Fernando Abreu


6 de agosto de 2012

Vamos dançar ???



Chegamos até aqui
Onde tudo se desintegra
Chegamos até o agora
Onde tudo dança
Inclino-me
Num gesto solene e elegante
E chamo meus medos para dançar
Portas destrancadas
Janelas abertas
Sem trunfos
Sem cartas na manga
A música está alta
Mas não há mais ruído
A margem está alta
Mas não há mais vertigem
As intenções são altas
Mas não há mais medo
E eu danço
E danço
Ao som do tambor de meu coração
E danço
E danço
E desapareço.

Jean Gorre



1 de fevereiro de 2011

A escultura Vitória de Samotracia, representada sob a forma de mulher alada e colocada sob a proa de um navio de guerra, foi criada para comemorar a vitória de uma batalha naval. Para muitos, esta mulher com um par de asas podia ser assim definida: "Sob o vento, as roupas de seu vestuário se levantam e, molhadas, colam-se ao corpo revelando formas, força, ímpeto e fôlego de vida."

Nada mal, ao meu ver... Esta força... este ímpeto... este fôlego de vida... retratam bem o que se sente ao vê-la pela primeira vez no alto da escadaria de Daru.

A obra-prima, encontrada em 1863, foi criada por volta de 190 a.C e possui 3,28 metros de altura. Ela embeleza uma das entradas de um dos três pavilhões abertos à visitação pública do Museu do Louvre: o Sully. Juntamente com a Mona Lisa (no pavilhão Denon) e a Vênus de Milo (também no pavilhão Sully), ela é ponto obrigatório de visita para todo e qualquer turista que chega à capital francesa e cruza a Pirâmide de Vidro (ainda controversa) para conferir a maior coleção de obras de arte do planeta.

Mas, afinal, há muitos que se perguntam: quem foi Samotracia? Conta a história que um ainda novato escultor grego, sem muita fama e com um currículo artístico minguado, teria sido o criador desta mulher alada, tida como "a beleza em velocidade", uma obra-prima da época helenística. Para exaltar a originalidade de seu estilo e a imponência de sua forma, foi decidido que a criação de Pythocrito de Rhodes deveria ficar em um local que chamasse a atenção, preferencialmente bem no alto, no topo de algo, olhando para o mar aberto.

E assim foi feito... A mulher alada foi colocada na proa de um navio, indicando a vitória de Rhodes sobre Antiochus III (222-187 B.C.). Esta era uma maneira comum dos gregos expressarem sua homenagem aos heróis de guerra.

A Vitória de Samotracia foi concebida através da união de seis blocos de mármore, uma tradição da escultura grega, que costumava utilizar diferentes pedaços de pedra para esculpir suas obras de arte. Depois de séculos, ela acabou sendo descoberta por Charles Champoiseau, arqueologista e cônsul francês em Adrianople, em uma colina na Ilha de Samotracia, daí a razão de seu nome.

Destruída pelo revezar do tempo, o arqueologista a encontrou fragmentada em 118 pedaços. A estátua só foi remontada no próprio Museu do Louvre, quando por lá aportou em 1864. No entanto, um dos mistérios que rodeiam Samotracia nunca foi solucionado: sua cabeça parece ter se perdido para sempre. Ainda nos dias atuais, ela é tida como uma das maiores expressões de arte da Era Helenística. Para refrescar a memória, a Era Helenística marcou a transição da civilização grega para a romana.

Convencionou-se chamar de civilização helenística a que se desenvolveu fora da Grécia, sob influxo do espírito grego. Esse período histórico medeia entre 323 a.C., data da morte de Alexandre III (Alexandre, o Grande), e 30 a.C., quando se deu a conquista do Egito pelos romanos.

Sempre que vou ao Louvre, não deixo de prestar minha homenagem à mulher alada, este símbolo de força, de ímpeto e de fôlego de vida. Subo as escadarias de Daru para chegar aos pés da beleza em velocidade e fico, inevitavelmente, pasma. Em agosto, durante minha última visita ao museu, ouvi alguém comentando, enquanto admirava a estátua grega: "Ela poderia ter qualquer cabeça." Fiquei pensando se esta não seria, sem querer, a mensagem da Vitória de Samotracia: a vitória de qualquer um, de alguém movido pela força, pelo ímpeto, pelo fôlego de vida. E se, mais ainda, esta não seria a razão de seu carisma!


16 de dezembro de 2010

Amigos...


Conchas

Procuro amigos como quem cata conchas,
entre praias, areias e pedras escorregadias.
Não tenho pressa. Escolho. Pulo as ondas.
Deixo o tempo me entreter em suas manias.


Quando encontro, ponho logo na coleção,
aquele lugar reservado desde sempre.
Alguns dão trabalho, peças exigentes,
outros acomodam-se dóceis ao coração.


O mar as vezes me traz algas, guardo-as também.
Não sou devoto das formas convencionais.
No mais, não sou fiscal de conchas. Que mal tem
se não pergunto nem exijo credenciais?


Arrisco. Meto a mão. Danem-se os caranguejos.

Rodrigo Rosa

10 de dezembro de 2010

Silênciooo...


"...SE ESTOU rodeado de silêncio, eu sou eu. E isso me basta.

Minha vida se dispersa continuamente.Como um rio que sai do leito e transborda sobre a terra. Então, tenho de abandonar muitas coisas e pensar no que é útil e bom.Só assim controlo as águas e as faço voltar ao seu leito. É como um pêndulo.Foi sempre assim.Já me acostumei a viver com essas inundações que arrasam tudo, e depois a calma,o controle,a solidão,o silêncio.É como uma longa aprendizagem. Infinita .Desconfio que nunca se concluirá"


Pedro Juan Gutiérrez

Trecho do conto Sobreviva que pode


27 de outubro de 2009

Mulher


Mulher, mulher e mulheres...

Quer ser maravilhoso,
Quer ser afetuoso.

Mulher, que poder extremo sobre nós,
Que força nos rege e nos faz em algum momento só.

Mulher forte, autoura renova o homem tão velho,
Tão sofrido, tão esquecido, tão nocivo e sucessível de erros.

Mulher que louca vida tu faz agente passar,
Que louca hora faz a gente acordar,
Passando por nosso passado,
vivendo o nosso presente,
ocupando um espaço ausente.

Mulher que renova, rega, cuida, poda, colhe, não escolhe,
Mulher de hoje, de amanhã, de todo dia renova a vida vazia
Criando uma eterna fantasia...

Mulher de toda hora,
Mulher que chora,
Mulher que grita,
Mulher que agita,
Mulher que nunca se limita...

de José Renato da Silva Júnior
Ubaíra - BA

3 de outubro de 2009

Eu...


eu sou como eu sou
pronome
pessoal intransferível
da mulher que iniciei
na medida do impossível.

eu sou como eu sou
agora
sem grandes segredos dantes
sem novos secretos dentes
nesta hora.

eu sou como eu sou
presente
desferrolhada indecente
feito um pedaço de mim.

eu sou como eu sou
vidente
e vivo tranquilamente
todas as horas do fim.

Torquato Neto
(modificado)

12 de agosto de 2009

Cuidado...

Meu corpo é assim,
como um vestido antigo,
com duzentos botões...
que você deve desabotoar,
devagar...com calma...
com carinho...para não amassar a seda,
nem machucar as dobras...

Maria Teresa Alban

29 de julho de 2009

...


O vício é a marca de toda história de amor baseada na obsessão.

Tudo começa quando o objeto de sua adoração lhe dá uma dose generosa, alucinante de algo que você nunca ousou admitir que queria - um explosivo coquetel emocional, talvez feito de amor estrondoso e louca excitação.

Logo você começa a precisar dessa atenção intensa com a obsessão faminta de qualquer viciado.

Quando a droga é retirada, você imediatamente adoece, louco e em crise de abstinência (sem falar no ressentimento para com o traficante que incentivou você a adquirir seu vício, mas agora se recusa a descolar o bagulho bom - apesar de você saber que ele tem algum escondido em algum lugar, caramba, porque ele antes lhe dava de graça).

Triste você constata o estágio seguinte é você esquelética e tremendo num canto, sabendo apenas que venderia sua alma ou roubaria seus vizinhos só para ter aquela coisa mais uma vez que fosse.

do livro Comer Rezar Amar de Elizabeth Gilbert

2 de julho de 2009

Poetas ...

Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considere a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história.
Não direi suspiros ao anoitecer, a paisagem vista na janela.
Não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida.
Não fugirei para ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.

Carlos Drummond de Andrade

25 de junho de 2009

Ninguém

Ninguém

Embriaguei-me num doido desejo
E adoeci de saudade.
Caí no vago ... no indeciso
Não me encontro, não me vejo -
Perscruto a imensidade

E fico a tactear na escuridão
Ninguém. Ninguém
Nem eu, tão pouco!

Encontro apenas
o tumultuar dum coração
aprisionado dentro do meu peito
aos saltos como um louco.
...

Judith Teixeira

22 de maio de 2009

DIA DA FAXINA

Estava precisando fazer uma faxina em mim…
e fiz: abrindo o armário.
Assim como jogar alguns pensamentos
indesejados fora, lavar algumas essências
que andam meio que enferrujadas,
pois já não brilhavam.

Tirei do fundo das gavetas lembranças
que não uso e não quero mais.
Joguei fora alguns sonhos, algumas ilusões.
Papéis de presente que nunca usei,
sorrisos que nunca darei,
joguei fora a raiva e o rancor
das flores murchas que estavam
dentro de um livro que não li.

Olhei para meus sorrisos futuros
e minhas alegrias pretendidas,
e as coloquei num cantinho ,
bem arrumadinhas.
Fiquei sem paciência,
tirei tudo de dentro do armário
e fui jogando no chão:
paixões escondidas,
desejos reprimidos,
palavras horríveis que nunca queria ter dito,
mágoas de um amigo,
lembranças de um dia triste,
mas havia lá, outras coisas e belas!!!
Um passarinho cantando na minha janela…
aquela lua cor de prata que vi na praia,
o por do sol nas montanhas…
Fui me encantando e me distraindo;
olhando para cada uma daquelas lembranças.
Sentei no chão, para poder fazer minhas escolhas.
Joguei direto no saco de lixo
os restos de um amor que me magoou.
Peguei as palavras de raiva e de dor
que estavam na prateleira de cima,
pois quase não as uso,
também joguei fora no mesmo instante!
Outras coisas que ainda me magoam,
coloquei num canto para depois
ver o que faria com elas.
Se as esquecia lá mesmo
ou se mandava para o lixão.

Aí, fui naquele cantinho, bem naquela gaveta
que a gente guarda tudo o que é mais importante:
o amor, a alegria, os sorrisos,
um dedinho de fé para os momentos
que mais precisamos,
e sabe o que descobri ?

Que tinha um jóia lá, toda embrulhadinha,
tão rara e preciosa,
talvez o maior bem que possua.
Eu não a usava há muito tempo.
Nem sabia que a tinha mais,
tinha me esquecido.
Mas, ela estava lá
e quando eu a olhei,
ela brilhou para mim,
como sempre o fizera;

Peguei-a entre os dedos e fiquei apreciando.
Assim, embevecida e encantada.
Cuidei dela com muito carinho,
despejei meu amor por entre suas frestas
e não deixei de usá-la mais.
Agora mesmo eu a estou usando
para falar com você.
Pode saber o que é?

Sim, amigo, é minha arte de escrever.
De brincar com o teclado e com o jogo
de letras que se fazem visíveis no
meu pensamento mesmo antes dos dedos
tocarem o teclado, mas, que às vezes,
parece que são mais rápidos
que do que ele e posso me divertir mais assim.
E com uma simples frase,
escrever uma história inteira.
Em dia de faxina,
sempre fica tudo uma bagunça incrível,
desorganizamos tudo,
para colocar em ordem depois
mas, melhor é desorganizar a ordem.
porque fica tudo certinho.
Bem, assim …mais fácil para mim.
Recolhi com carinho o amor encontrado,
dobrei direitinho os desejos,
coloquei perfume na esperança,
passei um paninho na prateleira das minhas meta,
deixei-as à mostra, para não
perdê-las de vista.
Coloquei nas prateleiras de baixo
algumas lembranças da infância,
na gaveta de cima as da minha juventude e,
pendurado bem à minha frente,
coloquei o meu amor,
pois eu o uso a todo instante,
mantenho-o sob meu olhar de paixão incontida,
banho-o todos os dias com ternura,
dou-lhe atenção de menina,
durmo com ele, bem juntinho, ao meu lado,
e encho-o de beijinhos melados
E ele?

Bem, … ele retribui.


Rosy Beltrão

18 de maio de 2009

Sou ...

Sou de Outras Coisas

Sou de outras coisas
pertenço ao tempo que há-de vir sem ser futuro
e sou amante da profunda liberdade
sou parte inteira de uma vida vagabunda
sou evadido da tristeza e da ansiedade

Sou doutras coisas
fiz o meu barco com guitarras e com folhas
e com o vento fiz a vela que me leva
sou pescador de coisas belas, de emoções
sou a maré que sempre sobe e não sossega

Sou das pessoas que me querem e que eu amo
vivo com elas por saber quanto lhes quero
a minha casa é uma ilha é uma pedra
que me entregaram num abraço tão sincero

Sou doutras coisas
sou de pensar que a grandeza está no homem
porque é o homem o mais lindo continente
tanto me faz que a terra seja longa ou curta
tranco-me aqui por ser humano e por ser gente

Sou doutras coisas
sou de entender a dor alheia que é a minha
sou de quem parte com a mágoa de quem fica
mas também sou de querer sonhar o novo dia

Fernando Tordo

20 de abril de 2009

Um dia


Haverá um dia em que as árvores nascerão nas estrelas
E a fruta irá colorir o céu de todas as cores
Esse será o dia em que Homem conseguiu inventar
As palavras que constroem a minha alma
Haverá um dia em que as nuvens nascerão
Nas esquinas das ruas empedradas
E em que a noite terá a maior das claridades
Esse será o dia em que te darei a minha mão
Que para sempre ficará aliada à tua
Haverá um dia em que suor dos corpos
Terá todos as cores do arco-íris
E os muros se transformarão em passadeiras
Esse será o momento em que tudo é pouco e nada é muito
Haverá um dia em que a Natureza mudará o curso dos rios
E os pulmões deixarão de respirar apenas ar
Esse será o dia em que no Universo nascerá um novo planeta
Aquele em que o Sol nunca se inundará no horizonte.

Madalena

19 de janeiro de 2009

SONO ENTRECORTADO

Sonhos costurados com pensamentos recorrentes. Olhos abertos passeiam pelas paredes sombreadas, principiam vertigem nos indícios de fantasias. Talvez a leitura da cabeceira possa ancorar a noite numa baía serena. A cautela de se lançar em jornadas do não-eu e alcançar as calmarias... Dispersão quase desatenta. Um estado latente quando tudo se mistura e inquieta. A manhã está próxima. A atenção se equilibra nas palavras escritas, mas não prospera... Novamente no escuro, os olhos tentam decifrar símbolos espiralados, lêem o silêncio com o murmurinho do que se perde nas sombras matutinas, nos passos apressados, e grita aos sonhos com os ecos ancestrais de uma noite estrelada.

Pela fresta da janela, uma estrela infante ainda se espreguiça no alvo lençol da alvorada... Preguiçosa, ignora o despertar do relógio e fecha os olhos aos pensamentos entrecortados que rompem o dia com novas reticências...

Helena Sut

21 de outubro de 2008

Eternidade !!!


Amanheci pra vida

De um sono profundo e sereno,
Imersa em sonhos já antes sonhados
Revolta em pesadelos agora vividos.
Mergulhada numa inércia profunda
Vegetando harmonicamente com tudo.
Desejando, sonhando, idealizando, sentindo...

Caminhei caminhos estranhos
Longos e às vezes conhecidos.
Trilhei veredas, prados e calmarias
Em que a alma repousa tranqüila.
Tirei pedras dessas estradas,
Com as mãos de artistas para não deixar pegadas.
Arranhei a alma, essa desconhecida
Para não deixar que o desejo me vencesse
Pro mundo não saber que nas entranhas,
Jazia o calor da alma, que mesmo estranha,
Sonha sonhos de uma vida
Talvez em outros tempos vivida.

E o corpo, que esconde a alma,
Estranha a estranha alma que domina o corpo.
Sente a sede de um amor conhecido,
Esquecido por ela, essa estranha,
Que já tem vivido antes
Sonhou tanto que se aquietou,
Numa aceitação insana,
Que faz do corpo uma prisão eterna,
Para a alma,
Que sendo estranha
Reaja ao seu cativeiro.
Queria romper fronteiras
Invadir espaços, e ganhar o eterno tempo
Criar novos rumos.
Acreditar em verdades novas,
Verdades surgidas das grades que a sufocam.
Alçar vôos por entre as grades
Buscar o sol que a fresta traz
Esquentando a alma, essa estranha
Que de tanto se esforçar, prá se esconder
Se mostra por inteira.

E agora, alma e corpo,
Embora estranhos,
Travam batalhas em suas entranhas
Que agora despertadas
Vão povoar os sonhos da noite que não termina...
Os poros reagem exalando um cheiro
Do amor sufocado.
E pelo quarto, no ar,
Sente-se um aroma
Agora desconhecido
Do corpo e da alma,
Que ainda estranha
Se afoga em prantos e se lamenta
Pelo corpo que a afugente buscando
Ser o que sempre queria,
O que surgiu na madrugada fria,
Trazida pelo despertar dos sonhos.

Agora quase no comando
O corpo domina a alma e se entrega
E se vê liberta de grades conhecidas,
Antigas e presas por raízes profundas.
Eleva-se ao estado da plenitude,
E atinge a outra alma, essa não estranha,
Que esperava por toda eternidade
Por aquela que agora conhecida,
E aconchega, e traz consigo
O amor que atravessou o tempo.
Venceu barreiras
Navegou pelos mares do infinito,
E encontrou abrigo junto à ela...

A alma dessa estranha, que vivia e
sonhava, enquanto na agonia esperava.
Por esse encontro
Que se não se der no agora
Terá ainda a ausência do tempo
A eternidade infinita pra se encontrar.

E então, essas almas
Juntas
Irão se completar
Até que a eternidade acabe....

Norma Andrade

21 de setembro de 2008

A guerreira...


raio caindo 22raio caindo 22


Luzes de trovão,raios de som tocam-me, beijam-me, brilham-me incógnita mulher, exuberante aeon, invade-me, toma-me Babalon. Sou teu cálice de vinho cor de êxtase no ar, meu gozo une-se ao teu grito supremo, pulsa, espuma, volve, me faz teu adendo, cósmica, divina tua energia, não és fantasia. Secreta Guerreira, musa-feiticeira, minha esteira, impregnado com o poder de ser o eterno amante, variante de ti, aceito pelos desafios, enfim vencidos, para te amar requer coragem e de ti fogem os covardes. Impuros, insanos e tolos jamais saberão de ti, pois não estão prontos para o divino sacrifício da entrega, da reunião atômica do todo e do nada, o universo sem idade, concedo-te minha espada e tu tiras a minha ingenuidade.

(autoria desconhecida)




raio caindo 22raio caindo 22










20 de setembro de 2008

É o que me interessa

Daqui desse momento

Do meu olhar pra fora

O mundo é só miragem

A sombra do futuro

A sobra do passado

A sombra é uma paisagem

Quem vai virar o jogo

e transformar a perda

Em nossa recompensa

Quando eu olhar pro lado

Eu quero estar cercado

só de quem me interessa


Às vezes é um instante

A tarde faz silêncio

O vento sopra a meu favor

Às vezes eu pressinto e

é como uma saudade

De um tempo que ainda não passou

Por trás do seu sossego,

atraso o meu relógio

Acalmo a minha pressa

Me dá sua palavra

Sussure em meu ouvido

Só o que me interessa


A lógica do vento

O caos do pensamento

A paz na solidão

A órbita do tempo

A pausa do retrato

A voz da intuição

A curva do universo

A fórmula do acaso

O alcance da promessa

O salto do desejo

O agora e o infinito

Só o que me interessa.


Lenine e Dudu Falcão

19 de setembro de 2008

Mal Necessário



Sou um homem, sou um bicho, sou uma mulher
Sou as mesas e as cadeiras desse cabaré
Sou o seu amor profundo, sou o seu lugar no mundo
Sou a febre que lhe queima mas você não deixa
Sou a sua voz que grita mas você não aceita
O ouvido que lhe escuta quando as vozes se ocultam
Nos bares, nas camas, nos lares, na lama.
Sou o novo, sou o antigo, sou o que não tem tempo
O que sempre esteve vivo, mas nem sempre atento
O que nunca lhe fez falta, o que lhe atormenta e mata
Sou o certo, sou o errado, sou o que divide
O que não tem duas partes, na verdade existe
Oferece a outra face, mas não esquece o que lhe fazem
Nos bares, na lama, nos lares, na cama.


Mauro Kwitko - Ney Matogrosso


"Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é..." Catetano Veloso

"Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é..." Catetano Veloso

Musica em minha vida para tocar a tua!

"A vida:... uma aventura obscena de tão lúcida..." Hilda Hist

"És um dos deuses mais lindos...Tempo tempo tempo tempo..." Caetano Veloso

"SOU METAL, RAIO, RELÂMPAGO E TROVÃO..." Renato Russo

"SOU METAL, RAIO, RELÂMPAGO E TROVÃO..." Renato Russo
RAINHA VICTORIA CATHARINA

"De seguir o viajante pousou no telhado, exausta, a lua." Yeda P. Bernis

"Falo a língua dos loucos, porque não conheço a mórbida coerência dos lúcidos" Fernando Veríssimo

"O que verdadeiramente somos é aquilo que o impossível cria em nós."