EU... Eu, eu mesmo... Eu, cheia de todos os cansaços, Quantos o mundo pode dar. — Eu... Afinal tudo, porque tudo é eu, E até as estrelas, ao que parece, Me saíram da algibeira para deslumbrar crianças... Que crianças não sei... Eu... Imperfeita? Incógnita? Divina? Não sei... Eu... Tive um passado? Sem dúvida... Tenho um presente? Sem dúvida... Terei um futuro? Sem dúvida... A vida que pare de aqui a pouco... Mas eu, eu... Eu sou eu, Eu fico eu, Eu... (Fernando Pessoa)

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19 de novembro de 2008

Abrindo o coração...

A gente tem que morrer tantas vezes durante a vida
Que eu já tô ficando craque em ressurreição.
Bobeou eu tô morrendo
Na minha extrema pulsão
Na minha extrema-unção
Na minha extrema menção
de acordar viva todo dia
Há dores que sinceramente eu não resolvo
sinceramente sucumbo
Há nós que não dissolvo
e me torno moribundo de doer daquele corte
do haver sangramento e forte
que vem no mesmo malote das coisas queridas
Vem dentro dos amores
dentro das perdas de coisas antes possuídas
dentro das alegrias havidas

Há porradas que não tem saída
há um monte de "não era isso que eu queria"
Outro dia, acabei de morrer
depois de uma crise sobre o existencialismo
3º mundo, ideologia e inflação...
E quando penso que não
me vejo ressurgida no banheiro
feito punheteiro de chuveiro
Sem cor, sem fala
nem informática nem cabala
eu era uma espécie de Lázara
poeta ressucitada
passaporte sem mala
com destino de nada!

A gente tem que morrer tantas vezes durante a vida
ensaiar mil vezes a séria despedida
a morte real do gastamento do corpo
a coisa mal resolvida
daquela morte florida
cheia de pêsames nos ombros dos parentes chorosos
cheio do sorriso culpado dos inimigos invejosos
que já to ficando especialista em renascimento

Hoje, praticamente, eu morro quando quero:
às vezes só porque não foi um bom desfecho
ou porque eu não concordo
Ou uma bela puxada no tapete
ou porque eu mesma me enrolo
Não dá outra: tiro o chinelo...
E dou uma morrida!
Não atendo telefone, campainha...
Fico aí camisolenta em estado de éter
nem zangada, nem histérica, nem puta da vida!
Tô nocauteada, tô morrida!

Elisa Lucinda

16 de abril de 2008

Silêncio

“O único tirano que eu aceito neste mundo é a silenciosa voz interior.”
Mahatma Gandhi


A Voz Do Silêncio


Pior do que a voz que cala,
é um silêncio que fala.
Simples, rápido! E quanta força!
Imediatamente me veio à cabeça situações
sem que o silêncio me disse verdades terríveis,
pois você sabe, o silêncio não é dado a amenidades.
Um telefone mudo.
Um e-mail que não chega.
Um encontro onde nenhum dos dois abre a boca.
Silêncios que falam sobre desinteresse,
esquecimento, recusas.
Quantas coisas são ditas na quietude,
depois de uma discussão.
O perdão não vem, nem um beijo,
nem uma gargalhada
para acabar com o clima de tensão.
Só ele permanece imutável,
o silêncio, a ante-sala do fim.
É mil vezes preferível uma voz que diga coisas
que a gente não quer ouvir,
pois ao menos as palavras que são ditas
indicam uma tentativa de entendimento.
Cordas vocais em funcionamento
articulam argumentos,
expõem suas queixas, jogam limpo.
Já o silêncio arquiteta planos
que não são compartilhados.
Quando nada é dito, nada fica combinado.
Quantas vezes, numa discussão histérica,
ouvimos um dos dois gritar:
"Diz alguma coisa, mas não fica
aí parado me olhando!"
É o silêncio de um, mandando más notícias
para o desespero do outro.
É claro que há muitas situaçõe
sem que o silêncio é bem-vindo.
Para um cara que trabalha
com uma britadeira na rua,
o silêncio é um bálsamo.
Para a professora de uma creche,
o silêncio é um presente.
Para os seguranças de um show de rock,
o silêncio é um sonho.
Mesmo no amor,
quando a relação é sólida e madura,
o silêncio a dois não incomoda,
pois é o silêncio da paz.
O único silêncio que perturba,
é aquele que fala.
E fala alto.
É quando ninguém bate à nossa porta,
não há e-mails na caixa de entrada
não há recados na secretária eletrônica
e mesmo assim, você entende a mensagem.
Martha Medeiros

25 de junho de 2007

O importante é arriscar...

O importante é arriscar...


"Se eu pudesse viver novamente a minha vida, na próxima, trataria de cometer mais erros. Não tentaria ser tão perfeito, relaxaria mais. Seria mais tolo ainda do que tenho sido; na verdade, bem poucas coisas levaria a sério.Seria menos higiênico. Correria mais riscos, viajaria mais, contemplaria mais entardeceres, subiria mais montanhas, mais rios. Iria a mais lugares onde nunca fui. Tomaria mais sorvete e menos lentilha, teria mais problemas reais e menos problemas imaginários. Eu fui uma dessas pessoas que viveu sensata e produtivamente cada minuto da sua vida, claro que houve momentos de alegria, mas, se não sabem, disso é feita a vida, só de momentos; não os perca agora. Eu era um desses que nunca ia a parte alguma sem um termômetro, uma bolsa de água quente, um guarda-chuva e um pára-quedas; se voltasse a viver, viajaria mais leve.Se eu pudesse voltar a viver, começaria a andar descalço no começo da primavera e continuaria assim até o fim do outono. Daria mais voltas na minha rua, contemplaria mais amanheceres e brincaria com mais crianças, se tivesse outra vez uma vida pela frente. Mas, já viram, tenho 85 anos e sei que estou morrendo".


Jorge Luis Borges


15 de abril de 2007

Retrato

Retrato
Mostro-me em glória
Vestindo-me de luzes e encantos
E por dentro amordaço-me.
Sou assim brilho e luz.
Sombra e escuridão.
Aquele que profanou o mar
E que traiu o arco azul do tempo
Falou da sua vitória
Disse que tinha ultrapassado a lei
Falou da sua liberdade
Falou de si próprio como de um Messias
Porém eu vi no chão suja e calçada
A transparente anêmona dos dias.
A anêmona dos dias,
Sophia de Mello Breyner Andresen

20 de janeiro de 2007

Meu Prazer


Há......

prazeres que são tão intimos que ao revelá-los ninguém os entenderia.


by Mad

13 de novembro de 2006

Reflexões sobre a vida


Brincando com a vida...
Brinco com a vida porque essa nunca me levou a sério... Debocho de meus próprios sentimentos para poder controlá-los... Satirizo a torpe seriedade do mundo porque ela nunca me trouxe nada de aprazível... Contrario as regras que me foram impostas porque essas só me trouxeram tristezas... Sou petulante com os poderosos porque eles estão pouco se importando com o que eu penso e com o que eu sinto.
Abomino a hipocrisia porque ela apenas fere nossos corações... Derrubo as máscaras mentirosas do mundo e mostro a elas a minha própria face... Blasfemo contra os poderes e divindades do universo, para provar que até um ser ridículo como eu é capaz de brilhar com sua própria luz... Desacato às autoridades para mostrar que títulos e cargos não são essência do ser humano, mas apenas um personagem temporário que cada um assume em sua breve existência nesse mundo...
Exponho meus piores defeitos e sou aclamado e admirado por isso... Defendo o egoísmo em detrimento da falsa e mercantilista fraternidade pregada pelas atuais instituições... Evoco as entidades da sombra, ao invés de ser demagogo com as divindades da luz.. Contrario a lei dos homens para dizer a todos que só a Natureza é sábia e perene... Corrompo a educação na qual fui adestrado, para poder me provar que posso ser feliz sendo eu mesmo, com todos os meus erros...
Busco ver o todo em cada minúcia... De tudo que há de mal, vejo os pontos positivos que nos trazem conhecimento e evolução... De tudo o que há de bom, busco as intenções subjetivas desses atos, que não passa de falsidade disfarçada de virtude... Só busco eu mesmo, a partir de mim mesmo...
Amor e alegria no coração... Sempre!!!
Alex Marq

9 de novembro de 2006

Tigreza

Tigresa

Uma tigresa de unhas negras e íris cor de mel
Uma mulher, uma beleza que me aconteceu
Esfregando a pele de ouro marrom
Do seu corpo contra o meu
Me falou que o mal é bom e o bem cruel
Enquanto os pelos dessa deusa tremem ao vento ateu
Ela me conta sem certeza tudo o que viveu
Que gostava de política em mil novecentos e oitenta e seis
E hoje dança no Frenetic Dancin’ Days
Ela me conta que era atriz e trabalhou no Hair
Com alguns homens foi feliz com outros foi mulher
Que tem muito ódio no coração, que tem dado muito amor
E espalhado muito prazer e muita dor
Mas ela ao mesmo tempo diz que tudo vai mudar
Porque ela vai ser o que quis inventando um lugar
Onde a gente e a natureza feliz, vivam sempre em comunhão
E a tigresa possa mais do que o leão
As garras da felina me marcaram o coração
Mas as besteiras de menina que ela disse não
E eu corri pra o violão num lamento
E a manhã nasceu azul
Como é bom poder tocar um instrumento...

Caetano Veloso

6 de novembro de 2006

Caminhos


Caminhos...
Há instantes de nossas vidas em que o nosso olhar desafia o infinito, instigando-nos a realização dos nossos mais íntimos sonhos. Nestes momentos, a liberdade do sentir abraça-nos a alma, o olhar. E por assim ser entregamo-nos, tendo o coração como guia e condutor. Deixamos para trás as folhas ressequidas da descrença e do desalento, que faziam do outono, estação permanente do nosso olhar.
Quando nos permitimos sonhar, resgatamos o sentido táctil do nosso coração. Despertamos emoções que já desconhecíamos. Ressuscitamos o afago esquecido e o carinho indelével do espelho do nosso olhar que nos reflete para o universo. Quando nos desvencilhamos das amarras que detêm a nossa capacidade de realizar, descerramos portais que não nos julgávamos capazes de cruzar e novos matizes vão sendo pintados na aquarela dos nossos olhares. A aliança que estabelecemos com o realizar pode sinalizar caminhos, como também vencer as nossas maiores resistências.
A grande parceira dos que realizam sonhos é a esperança. Ela aconchega-se em nosso coração, acendendo novas auroras em nossos dias, fazendo-nos renascer como Fênix. São os nossos passos que dão ritmo à realização dos nossos sonhos... é o navegar entre as ondas do viver que nos oportuniza a argamassa necessária à consecução dos projetos que guardamos nos escrínios do nosso coração. Escondê-los eternamente da luz do sol em caixinhas hermeticamente fechadas não os denunciarão ao universo.
Somos nós que conduzimos os nossos sonhos pelo mundo do existir, vestindo-os com a roupa mágica do realizar.
Fernanda Guimarães

"Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é..." Catetano Veloso

"Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é..." Catetano Veloso

Musica em minha vida para tocar a tua!

"A vida:... uma aventura obscena de tão lúcida..." Hilda Hist

"És um dos deuses mais lindos...Tempo tempo tempo tempo..." Caetano Veloso

"SOU METAL, RAIO, RELÂMPAGO E TROVÃO..." Renato Russo

"SOU METAL, RAIO, RELÂMPAGO E TROVÃO..." Renato Russo
RAINHA VICTORIA CATHARINA

"De seguir o viajante pousou no telhado, exausta, a lua." Yeda P. Bernis

"Falo a língua dos loucos, porque não conheço a mórbida coerência dos lúcidos" Fernando Veríssimo

"O que verdadeiramente somos é aquilo que o impossível cria em nós."