EU... Eu, eu mesmo... Eu, cheia de todos os cansaços, Quantos o mundo pode dar. — Eu... Afinal tudo, porque tudo é eu, E até as estrelas, ao que parece, Me saíram da algibeira para deslumbrar crianças... Que crianças não sei... Eu... Imperfeita? Incógnita? Divina? Não sei... Eu... Tive um passado? Sem dúvida... Tenho um presente? Sem dúvida... Terei um futuro? Sem dúvida... A vida que pare de aqui a pouco... Mas eu, eu... Eu sou eu, Eu fico eu, Eu... (Fernando Pessoa)

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18 de agosto de 2007

Um deus!

"Desde que minha preciosa alma foi dona de escolher e soube distinguir entre os homens, marcou-te com o selo de sua escolha, porque, sempre desgraçado ou feliz, recebeste com igual semblante os favores e os reveses da fortuna...
Mostra-me um homem que não seja escravo de suas paixões, e eu o colocarei no centro de meu coração; sim, no coração de meu coração, como a ti guardo!"
Shakespeare

25 de junho de 2007

Uma ORAÇÃO

Uma oração

Minha boca pronunciou e pronunciará, milhares de vezes e nos dois idiomas que me são íntimos, o pai-nosso, mas só em parte o entendo. Hoje de manhã, dia primeiro de julho de 1969, quero tentar uma oração que seja pessoal, não herdada. Sei que se trata de uma tarefa que exige uma sinceridade mais que humana. É evidente, em primeiro lugar, que me está vedado pedir. Pedir que não anoiteçam meus olhos seria loucura; sei de milhares de pessoas que vêem e que não são particularmente felizes, justas ou sábias. O processo do tempo é uma trama de efeitos e causas, de sorte que pedir qualquer mercê, por ínfima que seja, é pedir que se rompa um elo dessa trama de ferro, é pedir que já se tenha rompido. Ninguém merece tal milagre. Não posso suplicar que meus erros me sejam perdoados; o perdão é um ato alheio e só eu posso salvar-me. O perdão purifica o ofendido, não o ofensor, a quem quase não afeta. A liberdade de meu arbítrio é talvez ilusória, mas posso dar ou sonhar que dou. Posso dar a coragem, que não tenho; posso dar a esperança, que não está em mim; posso ensinar a vontade de aprender o que pouco sei ou entrevejo. Quero ser lembrado menos como poeta que como amigo; que alguém repita uma cadência de Dunbar ou de Frost ou do homem que viu à meia-noite a árvore que sangra, a Cruz, e pense que pela primeira vez a ouviu de meus lábios. O restante não me importa; espero que o esquecimento não demore. Desconhecemos os desígnios do universo, mas sabemos que raciocinar com lucidez e agir com justiça é ajudar esses desígnios, que não nos serão revelados.
Quero morrer completamente; quero morrer com este companheiro, meu corpo.
Jorge Luis Borges

8 de abril de 2007

Feliz Páscoa !!!

Deveres Humanos
Uma mentira precisa ser desmascarada, para que a verdade tenha chance de prevalecer: a luta pelos chamados direitos humanos não é, nem nunca foi, a defesa da vida de delinqüentes ou assassinos. Mas por uma dessas perversidades da absurda realidade social deste país, o cidadão comum tem sido levado a crer nessa deturpação obscura. É fundamental, portanto, educar para que esse engano não se perpetue na omissão.

Direitos humanos são um conceito fácil de apreender. Consiste em preservar como valor absoluto àquilo que nos distingue como seres dotados de razão e emoção. É a defesa da própria condição humana.

Já houve quem, até mesmo em nome de Deus, quisesse privar desses direitos toda sorte de pessoa – negros, judeus, homossexuais, católicos ou protestantes, comunistas ou democratas. Queimaram, prenderam, torturaram e humilharam. Os que torcem pelo terror deveriam ficar atentos: a história do mundo está banhada de sangue inocente derramado em nome de ideais aparentemente justos.

Colocar essa discussão em seu devido lugar, definitivamente, não é tarefa fácil quando se vive em um país que permite a consolidação da barbárie no cotidiano. É terrível assistir à violência brutal até mesmo de crianças e jovens bestializados pela miséria – sim, é preciso insistir, pela miséria – de um país que aborta o futuro e o joga no meio da rua. Talvez já estejamos chorando a morte de toda uma geração. Estamos sobreviventes.

Até mesmo por isso, não podemos nos cegar pelas mãos com que cobrimos o nosso rosto apavorado. Em um exercício de fé na humanidade, é imprescindível entender que ninguém pode humilhar, violentar, matar ou impedir uma pessoa de viver como ser humano. Quando uma criança é impedida de comer, se vestir ou estudar, ela está sendo privada de sua condição humana. Não se espante se ela virar um animal.

Escrito por marcântonio

25 de novembro de 2006

Mulher


O texto da mulher,

O texto da mulher tem perfume que às vezes se sente só pelo título. Tem todo o jeito de quem anda por andar, sinceramente sem querer chegar a lugar nenhum. O texto da mulher dá pra ver que demorou muito tempo pra ficar pronto, e ainda não está. Dá pra ver que uma mulher escreve pra outra --- pra outra completar.
O texto da mulher tem um silêncio gostoso de se ouvir e pronto para ser quebrado. Tem natureza própria: vento que sopra a cara e provoca os cabelos; lua que, nua, se banha no mar

---festa nos navios negreiros...!
O texto da mulher dá orgulho: a gente fica lendo, boba, descobrindo um monte de coisas que já sabia e que só precisava lembrar.
O texto da mulher fecha os olhos quando faz carinho, como se fosse ele o acarinhado... todo texto de mulher tem um filho no presente e um amante no passado.
O texto da mulher faz arte: colore o que passa em branco na vida e pára o que passa rápido demais --- põe o pé na frente e zás! Segue soberba, sabe que não adianta olhar--- não para trás.
O texto da mulher parece sempre que foi a gente que escreveu --- será uma concatenação de saudades e esperanças comuns, ou alguém me esmiuçou sem eu deixar?
O texto da mulher treme, grita, chora e comemora em uma só língua; e faz a gente pensar que somos, todas, fragmentos de uma mesma criatura com dois lindos seios e um santo ventre, que caiu, quebrou e nos espalhou um dia.
O texto da mulher vale a pena a qualquer hora: de manhã, à tarde, de noite... Esteja a solidão aqui, ou batendo na porta, do lado de fora.


Gabriela Mello Barbosa

"Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é..." Catetano Veloso

"Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é..." Catetano Veloso

Musica em minha vida para tocar a tua!

"A vida:... uma aventura obscena de tão lúcida..." Hilda Hist

"És um dos deuses mais lindos...Tempo tempo tempo tempo..." Caetano Veloso

"SOU METAL, RAIO, RELÂMPAGO E TROVÃO..." Renato Russo

"SOU METAL, RAIO, RELÂMPAGO E TROVÃO..." Renato Russo
RAINHA VICTORIA CATHARINA

"De seguir o viajante pousou no telhado, exausta, a lua." Yeda P. Bernis

"Falo a língua dos loucos, porque não conheço a mórbida coerência dos lúcidos" Fernando Veríssimo

"O que verdadeiramente somos é aquilo que o impossível cria em nós."