EU... Eu, eu mesmo... Eu, cheia de todos os cansaços, Quantos o mundo pode dar. — Eu... Afinal tudo, porque tudo é eu, E até as estrelas, ao que parece, Me saíram da algibeira para deslumbrar crianças... Que crianças não sei... Eu... Imperfeita? Incógnita? Divina? Não sei... Eu... Tive um passado? Sem dúvida... Tenho um presente? Sem dúvida... Terei um futuro? Sem dúvida... A vida que pare de aqui a pouco... Mas eu, eu... Eu sou eu, Eu fico eu, Eu... (Fernando Pessoa)

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23 de agosto de 2012

A perfeição...




"Não era mais paixão, nem necessidade, nem costume, era apenas um homem e uma mulher que feito dois vira-latas reconheciam o cheiro um do outro e sabiam o que deveriam fazer - e faziam - sem precisar sorrir, conversar, trocar ideias, sair para jantar, essas preliminares que introduzem todas as relações decentes."

Martha Medeiros


15 de junho de 2012

Que alma tenho?

"Como o panteísta se sente árvore (?) e até a flor,
eu sinto-me vários seres.
Sinto-me viver vidas alheias, em mim, incompletamente,
como se o meu ser participasse de todos os homens,
incompletamente de cada (?),
por uma suma de não-eus sintetizados num eu postiço."    


Fernando Pessoa









2 de abril de 2012

...

"O espelho tem desfocado minha imagem, vejo uma pluma branca pairando no ar sem conseguir alcançar o chão. Em dias de chuva sou cheiro de terra molhada, barro moldado por mãos infantis, como se tivesse recuperado a inocência perdida e reinventado travessuras. Talvez tenha alcançado um grau de leveza que transcende o físico - acho que virei matéria microscópica, impossível de se ver a olhos nus, devo estar perdida na via láctea, ou quem sabe apenas me descuidei da gravidade. O sol escaldante não consegue queimar minha pele, estou vestida de vento e minha alma assovia descalça."


Renata Fagundes


10 de fevereiro de 2011

escravo ita_luke em avaliação:












Ser ou não ser eis a questão...

Será mais nobre sofrer na alma pedradas e flechadas do destino feroz, ou pegar-me em armas contra o mar de angústias - e, combatendo-o, dar-lhe fim?

Morrer; dormir; Só isso.
E com sono - dizem - extinguir dores do coração e as mil mazelas naturais a que a carne é sujeita; eis uma consumação ardentemente desejável.

Morrer - dormir - dormir! Talvez sonhar. Aí está o obstáculo! Os sonhos que hão de vir no sono da morte quando tivermos escapado ao tumulto vital nos obrigam a hesitar: e é essa reflexão que dá à desventura uma vida tão longa.

Pois quem suportaria o açoite e os insultos do mundo, a afronta do opressor, o desdém do orgulhoso, as pontadas do amor humilhado, as delongas da lei, a prepotência do mando e o achincalhe que o mérito paciente recebe dos inúteis, podendo ele próprio encontrar seu repouso com um simples punhal?

Quem agüentaria fardos gemendo e suando numa vida servil, senão porque o terror de alguma coisa após a morte - o país não descoberto, de cujos confins não voltou jamais nenhum viajante - nos confunde a vontade, nos faz preferir e suportar os males que já temos, a fugirmos para outros que desconhecemos?

E assim a reflexão faz todos nós covardes.
E assim o matiz natural da decisão se transforma no doentio pálido do pensamento. E empreitadas de vigor e coragem, refletidas demais, saem de seu caminho, perdem o nome de ação.

William Shakespeare
Hamlet, Ato III, cena 1



25 de janeiro de 2011

... uma historia antiga !!!

"Em seguida pegamos num dos lados do aposento um banco largo, adaptado para nele se poder deitar de corpo inteiro, por meio de um acolchoado macio forrado com uma capa de chita; e, estando agora tudo pronto, ele tirou o casaco e o colete e, a um movimento que manifestou seu desejo, desabotoei-lhe as calças e, enrolando-lhe a camisa até mais acima da cintura, prendi-a ali, bem firme. Ao que, dirigindo naturalmente meus olhos para aquele caprichoso motor dominante, em cujo benefício se faziam todos esses preparativos, ele parecia quase que encolhido sobre o tufo de cabelos encaracolados que forravam aquelas partes, tal como a senhora já deve ter visto uma cabaxirra botando a cabeça para fora da grama.

Curvando-se então para soltar suas ligas, ele as entregou para mim, a fim de utilizá-las para amarrá-lo às pernas do banco, circunstância desnecessária, a não ser, conforme suponho, por fazer parte do capricho da coisa, uma vez que ele a prescreveu para para si mesmo, tal como todo o resto do cerimonial.

Conduzi-o então até o banco e, seguindo minha deixa, representei que o forçava a se deitar; submetendo-se ele ao que, após uma pequena exibição de relutância, por pura preocupação formal, estendeu-se imediatamente no banco, de comprido sobre a barriga, com uma almofada sob o rosto; e, enquanto ele jazia assim subjugado, amarrei-o levemente, pés e mãos, às pernas do móvel; o que, uma vez feito, continuando sua camisa enrolada sobre a base das suas costas, puxei-lhe as calças para baixo, até os joelhos; e agora ele estava deitado, na mais ampla e completa exposição daquela parte do panorama dos fundos, em que um par de posteriores brancos, roliços, feito bochechas lisas e bastante passáveis, brotavam como duas fofas almofadas de um par de coxas robustas, carnudas e, terminando a sua fenda, ou separação, em uma união final das costas, apresentavam um alvo escancarado que se avolumava, por assim dizer, para receber o látego.

Pegando então um dos açoites, fiquei de pé diante dele e, de acordo com as instruções, dei-lhe, de um só fôlego, dez chicotadas com muito empenho e com mais profundo vigor e energia que meu braço lhes podeia imprimir, de forma a fazer palpitar sobre elas aqueles globos carnudos, enquanto ele próprio não parecia mais preocupado, nem se importava com elas, do que uma lagosta o faria diante de uma mordida de pulga.

Enquanto isso, observei com atenção os efeitos que elas causavam, que a mim pelo menos pareceram surpreendentemente cruéis: cada chibatada deslizou pela superfície daquelas colinas brancas, que ficaram profundamente avermelhadas, e, atingindo em sua curva o lado mais afastado de mim, lanharam, sobretudo em sua parte côncava, vergões tão vivos que o sangue tanto deles espirrou quanto deles brotou em grossas gotas; de alguns dos cortes até tirei as farpas das varas, que ficaram gravadas na pele; nem é de espantar esse resultado escoriante, considerando que eram varas verdes e a severidade da inflição, ao mesmo tempo em que toda a superfície da sua pele era esticada tão lisa sobre a polpa da carnedura e firme que a preenchia, que não havia como enganar ou eludir o ataque que, desse modo, decorreu no maior capricho e cortou fundo a carne tenra.

Eu estava, no entanto, já comovida diante daquela visão lastimável que, no fundo do coração, arrependi-me da tarefa e de boa vontade teria desistido, achando que ele já recebera o bastante; mas ele me encorajando e me suplicando avidamente que continuasse, dei-lhe mais dez chibatadas e então, descansando, observei o aumento do sangue que aflorava e, por fim, insensibilizada para essa visão pela sua valentia no sofrimento, continuei a mortificá-lo, a intervalos, até que o observei contorcer o corpo de uma maneira que pude perceber claramente não ser efeito da dor, mas de alguma sensação nova e poderosa; curiosa para mergulhar em seu significado, em uma das minhas pausas eu me aproximei, enquanto ele continuava se movimentando e esfregando a barriga contra a almofada debaixo dela; e, primeiro atingindo o lado intocado e ainda não ferido do monte carundo mais próximo de mim, depois insinuando suavemente minha mão sobre sua coxa, senti que as coisas estavam posicionadas para a frente, o que era realmente de surpreender, pois aquela sua máquina, que eu, por sua aparência, tomara por algo impalpável, ou , na melhor das hipóteses, muito diminuta, estava agora, em virtude de todas aquelas aguilhoadas e do estrago em sua pele atrás, não apenas elevada numa prodigiosa rigidez de ereção mas a um tamanho que assustou até a mim: uma grossura realmente sem igual!

Só a cabeça enchia completamente o recôncavo da minha mão: e quando, enquanto ele arquejava e se contorcia para a frente e para trás, na agitação de seu estranho prazer, a coisa se apresentou aos olhos, tinha um pouco o ar de um filé roliço da mais branca vitela - como o seu dono, atarracado e curto em proporção à sua largura; mas quando sentiu minha mão ali, suplicou-me que eu não parasse de bater com energia, ou ele não cseguiria nunca seu último estágio de prazer.

Retomando então o açoite e seu uso, eu já tinha gastado bem uns três feixes quando, após um aumento dos esforços e dos movimentos e, um ou dois suspiros profundos, eu o vi cair quieto, imóvel. Então ele quis que eu parasse, o que fiz instantaneamente e, passando a dessamarrá-lo, não pude senão me espantar com a sua resistência passiva, ao ver o estado da pele de seus posteriores retalhados, dilacerados, há pouco tempo tão brancos, lisos e lustrosos , e agora um de seus lados era apenas um bordado confuso de lanhos, carne lívida, talhos e sangue coagulado, de tal forma que quando se ergueu, mal conseguiu caminhar; em suma, ele parecia ter caído numa moita de roseira-brava.

E então percebi claramente, no alconchoado, as marcas de uma abundante efusão de líquido branco, e seu membro indolente já tinha voltado ao velho ninho e se havia escondido outra vez, como que envergonhado de mostrar a cabeça, que nada, parece era capaz de erguer, senão os açoites infligidos em suas vizinhas dos fundos, que eram assim constantemente obrigadas a sofrer por esse seu capricho."

John Cleland, Fannhy Hill: memórias de uma mulher de prazeres.

Publicado em 1748

janussw.blogspot.com/2010/06/uma-cena-setecentista.html



3 de janeiro de 2011

... hummm !!!


"Obediência total, não é apenas uma questão de disciplina, é do coração."


5 de dezembro de 2010

Incorreto e insensato... hummm !!!


"...DESDE então me incomodam muito estas duas palavras:correto e sensato. São falsas e pedantes. Servem para ocultar e mentir. Tudo é incorreto e insensato. Toda historia, toda a vida, todas as épocas foram incorretas e insensatas. Nós mesmos. Cada um de nós, por natureza, é incorreto e insensato, só que nos reprimimos para voltar para o cercado como boas ovelhas, e aplicamos rédeas e mordaças em nós mesmos.

Levei essa vida dupla durante muito tempo:correto e sensato, no trabalho. Incorreto e insensato no cortiço com Miriam. Ainda não me sentia livre, mas já estava no rumo. A verdade é que não me interessa nada que seja linear, reto. Não me interessa coisa nenhuma que progrida limpidamente de um ponto a outro, e que se saiba perfeitamente que tal linha começou aqui e terminou ali!

Não.

Nunca se deve pretender ser correto e sensato e levar uma vida linear e exata. A vida é muito imprevisível."

Pedro Juan Gutiérrez

Trecho do conto Abandonando as boas costumes.

21 de novembro de 2010

MEU ESCRAVO, MINHA PROPRIEDADE: caleb{|RVC|}









"… há sem dúvidas quem ame o infinito, há sem dúvidas quem deseje o possível , há sem dúvidas quem não queira nada. Há 3 tipos de idealistas, e eu , nenhum deles. Porque amo infinitamente o finito, porque desejo impossivelmente o possível, PORQUE QUERO TUDO, OU UM POUCO MAIS, SE PUDER SER, OU ATÉ SE NÃO PUDER … "

"Eu que me agüente comigo e com os comigos de mim."

Fernando Pessoa






21 de janeiro de 2010

Hummm ...



“Eu gosto dos que tem fome, dos que morrem de vontade, dos que secam de desejo, dos que ardem...”

Adriana Calcanhoto

22 de setembro de 2009

Delíciaaa !!!



Respiro o teu corpo

Respiro o teu corpo:
sabe a lua-de-água
ao amanhecer,
sabe a cal molhada,
sabe a luz mordida,
sabe a brisa nua,
ao sangue dos rios,
sabe a rosa louca,
ao cair da noite
sabe a pedra amarga,
sabe à minha boca.

Eugénio de Andrade

16 de setembro de 2009

Hummm...

Devo confessar que é gostoso
ser possuída dessa maneira
por esse homem fogoso.

Deixar de me sentir retraída
e libertar essa fêmea gostosa e exibida
que mora aqui dentro bem escondida.

Devo confessar que morro de tesão
quando barreiras e frescuras não inibem nossa imaginação
e palavras sacanas e picantes temperam nossa relação.

Deixar que os nossos momentos fiquem eternizados
nossos desejos e taras sejam sempre realizados
e que o afeto e carinho sempre nos envolva depois do prazer conquistado.

Devo confessar...

Vânia Brandão

8 de agosto de 2009

... lindooo !!!

Eu descobri um baú de infinidades
cheio de cartas, amores, desamores, esperanças, dúvidas...
e outros mil sonhos e desencantos...
Todos os dias abro-o por curiosidade
exceto os dias em que mereço descanso.
Às vezes, quando penso que já não há mais nada
abro novamente
e me deparo com criaturas vivas, cheias de palavras, laços, embaraços

inconscientes, espelhos e almas tocantes...
O báu da minha alma
Fonte inesgotável...
Mas o que eu não havia percebido é que,
sem querer,
todos os dias,
coloco coisas novas nele...
Renovo-o!
Agora entendi, o porque da sua infinidade...
repleto de pensamentos e sentimentos...
Uma verdadeira contemplação!

Suzanne Leal

8 de junho de 2008

Deliciosamente excitante

"Nada tenho a ver com não gostar de mim. Me aceito impura, me gosto com pecados, e há muito me perdoei."

Martha Medeiros

Delciosamente excitante

"Meu mundo se resume a palavras que me perfuram, a canções que me comovem, a paixões que já nem lembro, a perguntas sem respostas, a respostas que não me servem, à constante perseguição do que ainda não sei. Meu mundo se resume ao encontro do que é terra e fogo dentro de mim, onde não me enxergo, mas me sinto."

Martha Medeiros




Deliciosamente excitante

E desde então, sou porque tu és
E desde então és
sou e somos...
E por amor
Serei... Serás...Seremos...

Pablo Neruda



12 de março de 2008

Meu troféu

Tuas marcas... eita...
Meu troféu!!!
São vergões impetuosos
Que liberam gotas de rubi
...a cor do prazer.
Um prazer sádico,
que aporta

na demência dos sentidos.
Sentidos esses...
vazios da razão
Apenas com senso
do consenso
...de consentir
De inspiração dionisíaca
esse pantagruélico banquete
de infernais desejos
... e taras
Com ardor se consuma
... e se consome
Em tenras
...e esfomeadas carnes.
Enfim...
um insuperável gozo!!!

Castelã_SM

"Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é..." Catetano Veloso

"Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é..." Catetano Veloso

Musica em minha vida para tocar a tua!

"A vida:... uma aventura obscena de tão lúcida..." Hilda Hist

"És um dos deuses mais lindos...Tempo tempo tempo tempo..." Caetano Veloso

"SOU METAL, RAIO, RELÂMPAGO E TROVÃO..." Renato Russo

"SOU METAL, RAIO, RELÂMPAGO E TROVÃO..." Renato Russo
RAINHA VICTORIA CATHARINA

"De seguir o viajante pousou no telhado, exausta, a lua." Yeda P. Bernis

"Falo a língua dos loucos, porque não conheço a mórbida coerência dos lúcidos" Fernando Veríssimo

"O que verdadeiramente somos é aquilo que o impossível cria em nós."